Joaquim Evangelista: "Se nada fizermos estaremos a comprometer o sucesso das próximas gerações"
Segundo dados oficiais da Liga Portugal, divulgados esta segunda-feira pelo Diário de Notícias, 68,8% dos jogadores da I Liga são estrangeiros, o que significa que os portugueses são 31,2%.
"É uma tendência que tem vindo a acentuar-se e preocupa o Sindicato dos Jogadores", segundo o presidente do Sindicato de Jogadores, Joaquim Evangelista.
"A I Liga é, por natureza, a competição na qual o recrutamento de jogadores estrangeiros se justifica, pelas exigências competitivas das equipas em prova, a nível interno e nas competições europeias, mas o fenómeno começa a contaminar as divisões inferiores, estando identificado um problema de falta de oportunidades para jogadores formados em Portugal atingirem primeiro o futebol profissional e depois a nossa principal competição", disse ao DN o dirigente que também faz parte dos quadros da FIFPro.
Para Joaquim Evangelista, num país com a dimensão de Portugal e sem os mesmos argumentos financeiros de outros países com os quais se pode equipar "esta é uma realidade extremamente perigosa".
Mesmo, numa perspetiva de valorização do jogador português e de um mercado cada vez mais global.
"É possível e absolutamente essencial reter talento para bem da sustentabilidade do futebol português, desde os clubes às seleções nacionais.
Existe uma ideia generalizada de que o jogador português sai prematuramente do nosso país devido às elevadas exigências financeiras, mas isso represente uma percentagem pequena do enorme talento que emerge da formação e é desperdiçado." E lamenta ainda a política 'resultadista' adotada pela maioria dos clubes: "Assistimos a uma desenfreada luta pelos resultados imediatos e são poucos os clubes que têm uma visão de médio e longo prazo.
Pelo caminho ficam jovens que deixam de atingir o seu potencial ou imigram prematuramente, sem chegarem a ter em Portugal a consolidação que a sua carreira exigia." Para travar a diminuição de jogadores portugueses nos dois principais campeonatos, o Sindicato dos Jogadores apresentou algumas medidas que tiveram acolhimento nos regulamentos em vigor esta época, porque a taxa de utilização (os que jogam e não apenas os que estão inscritos) da época passada já era alarmante.
"Anualmente realizamos o Estudo de Utilização de Jogadores na I e II Ligas e na época passada já tínhamos noção da dimensão do problema.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.