"Ficámos a saber que vamos ser todos acionistas da REN. Para quê?"
J oão Cotrim de Figueiredo comentou, na noite deste domingo, a reentrada do Estado na REN – Redes Energéticas Nacionais. Para o eurodeputado, que falava no seu espaço de comentário na SIC Notícias, foi "um bocado estranho" que o primeiro-ministro tivesse anunciado uma participação do Estado na Festa de Verão PSD no Pontal.
"Ficámos a saber que vamos ser todos acionistas da REN. Não ficámos a saber quanto é que vai custar, nem para quê" , começa por dizer, referindo que a imprensa avança que foram acordados 380 milhões de euros e que isso "não foi desmentido", mas, insiste: "para quê?".
Para o antigo líder da Iniciativa Liberal, dos motivos invocados pelo Governo , nomeadamente pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, "nenhum deles colhe" .
" 'Precisamos de maior controlo estratégico sobre aquele setor'. Não dá nenhum. Quando há necessidade de controlo estratégico o regulador chega e sobra e a ERSE não tem sido um regulador propriamente ineficaz, pelo contrário. 'Precisamos de ter maior influência nas decisões de investimento'. Não estou a perceber. O plano de investimentos e desenvolvimento da REN passa todos os anos pelo ministério da Economia e o Governo tem uma palavra a dizer. 'É um bom negócio'. Não sei se é um bom negócio, não sabemos o preço" , enumerou.
Mas para Cotrim, o "último argumento" é que o tira "do sério", por ser "demagógico e populista e para tentar enganar as pessoas". Em causa está o facto de o Governo alegar que o negócio pretende " tentar criar condições para baixar os preços da energia ".
"Qualquer estudante de primeiro ano de Economia olha para as contas da REN e diz: 'o ano passado ganhou 160 milhões de euros, a parte que cabe ao Estado são 20 e poucos milhões e se se distribuísse aquilo por todos os agregados familiares que pagam eletricidade a poupança passava muito pouco dos dez cêntimos por mês'. Sendo que o investimento dos 380 milhões são 70 euros. Precisávamos de 700 meses para recuperar uma suposta poupança de energia" , elaborou.
O ex‑candidato presidencial reitera: "Não tentem enganar as pessoas. Expliquem exatamente o que é que está em causa nesta transação" .
Questionado sobre qual é o objetivo fundamental, Cotrim disse não fazer "a menor ideia", mas elogiou que a Iniciativa Liberal já tivesse chamado o ministro das Finanças ao Parlamento para esclarecer.
No dia 14 de agosto, recorde-se, foi comunicado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que a Parpública, sociedade gestora de participações sociais do Estado Português, comprou aos espanhóis da Pontegadea Inversiones uma participação de 13,7% do capital da REN.
A operação representa um regresso do Estado português à estrutura acionista da empresa, cujo processo de privatização foi concluído em 2014, durante o Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho, com a saída dos restantes 11% que ainda estavam na esfera pública.
A reentrada do Estado na REN deverá ser feita por 380 milhões de euros, o que representa um prémio de 17% - correspondente a cerca de 55 milhões de euros - face à cotação da empresa a 14 de agosto, quando o negócio foi aumentado.
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