Drones ucranianos paralisam aeroportos de Moscovo e obrigam aviões da comitiva de Putin a divergir
Um ataque coordenado de aparelhos não tripulados ucranianos levou esta sexta-feira, 9 de outubro, à paralisação quase total do tráfego aéreo sobre a capital russa, apanhando quatro aviões do Esquadrão Especial de Voo "Rossiya" — a unidade encarregada do transporte dos mais altos responsáveis de Estado — em plena manobra de aproximação.
As aeronaves regressavam do Turquemenistão, onde Vladimir Putin participara numa cimeira de líderes regionais e mantivera um encontro bilateral com o homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian.
Dados de telemetria pública do Flightradar24 indicam que as quatro aeronaves da frota governamental foram colocadas em circuitos de espera prolongados nos arredores da capital.
Perante a impossibilidade de aterrar no aeroporto de Vnukovo, a base habitual das deslocações oficiais, pelo menos duas das aeronaves foram forçadas a divergir para pistas alternantes, incluindo São Petersburgo.
Por motivos de protocolo militar e segurança, o Kremlin não divulga em que aparelho viaja o presidente, recorrendo de forma regular a aeronaves idênticas em rota paralela.
Segundo os media internacionais, o encerramento do espaço aéreo foi imposto pela agência reguladora russa, Rosaviatsia, cerca das 15h40 locais (13h40 em Lisboa), e prolongou-se em cadeia ao longo de seis a sete horas nos quatro aeroportos metropolitanos: Vnukovo, Sheremetyevo, Domodedovo e Zhukovsky.
Mais de 370 voos comerciais e de carga sofreram atrasos e dezenas de ligações acabaram canceladas, forçando centenas de passageiros a pernoitar nos terminais.
Em terra, as consequências do ataque fizeram-se sentir em várias frentes.
Enquanto o presidente da câmara de Moscovo, Sergey Sobyanin, assegurou que 15 drones foram intercetados nos limites da capital, o governador do óblast de Moscovo, Andrey Vorobyov, confirmou que a queda de destroços no distrito suburbano de Podolsk provocou a morte de um homem e ferimentos num morador, danificando um bloco residencial e incendiando três viaturas.
A ofensiva aérea ucraniana terá envolvido ainda uma tática combinada com o lançamento de pequenos balões de reconhecimento sobre a região de Yaroslavl, a nordeste da capital.
As forças de segurança russas admitiram operações para abater estes aeróstatos, descritos por analistas militares como uma manobra concebida para saturar os radares dos sistemas de defesa antiaérea Pantsir e S-400 antes da entrada dos vetores de ataque.
O incidente evidencia uma pressão sem precedentes sobre a infraestrutura de aviação russa.
Segundo estimativas oficiais da própria Rosaviatsia, a taxa de atrasos prolongados no espaço aéreo nacional já subiu 20% no último ano devido às frequentes interrupções preventivas ditadas por ataques aéreos.
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