EUA confirmam armas em órbita. Rússia exige espaço "livre de armamento"
"Acreditamos que o espaço deve estar livre de qualquer armamento" , declarou o porta-voz do Kremlin (presidência russa), Dmitri Peskov, durante a conferência de imprensa diária.
"Contamos com uma ampla mobilização internacional para dar continuidade aos esforços que visam uma desmilitarização completa do espaço", acrescentou.
A posição de Moscovo surge depois de a Força Espacial dos Estados Unidos, ramo das Forças Armadas norte-americanas dedicado ao espaço, ter anunciado na segunda-feira que dispõe de "sistemas de controlo espacial armados em órbita, capazes de defender a força conjunta contra ações hostis dos adversários".
Segundo a força norte-americana, estes sistemas têm capacidades que "podem ser empregues tanto para fins ofensivos como defensivos".
Washington considera que os dois principais rivais geopolíticos, China e Rússia, encaram igualmente o espaço como um potencial teatro de confrontos.
Pequim, aliada de Moscovo, já tinha pedido aos Estados Unidos para "parar de se preparar para uma guerra no espaço".
A utilização militar do espaço acompanha praticamente desde o início a corrida espacial, com os Estados Unidos e a antiga União Soviética a explorarem, desde o lançamento do Sputnik russo, em 1957, formas de armar satélites e neutralizar os equipamentos dos adversários.
As primeiras preocupações internacionais centraram-se sobretudo na possibilidade de colocação de armas nucleares no espaço.
Em 1967, as duas superpotências e outros Estados assinaram o Tratado do Espaço Exterior, que proíbe a instalação em órbita de armas de destruição maciça.
Desde então, Estados Unidos, China, Rússia e Índia têm estudado formas de desenvolver operações de combate no espaço não abrangidas pelo tratado, nomeadamente contra satélites essenciais para comunicações militares, vigilância e navegação.
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