Assessor de Netanyahu admite ter recebido avultadas quantias do Qatar
O ex-conselheiro do primeiro-ministro israelita Jonathan Urich admitiu à polícia ter recebido dezenas de milhares de euros do Qatar e ter continuado a trabalhar para este país após o ataque das milícias palestinianas de Gaza, em 2023.
Urich, que foi conselheiro estratégico de Netanyahu e também diretor de campanha do partido Likud, deixou de trabalhar para os qataris em "meados ou no final de 2024", segundo o interrogatório, citado pela estação de televisão israelita Canal 12. Especificamente, recebeu pagamentos de "centenas de milhares de shekels" (dezenas de milhares de euros) para melhorar a imagem do Qatar, trabalho que não "era realizado em Israel".
Outro conselheiro de Netanyahu, Yisrael Einhorn — também investigado no caso conhecido por "Qatargate" —, ordenou-lhe que parasse e foi então que terminou o seu trabalho para Doha, segundo a mesma fonte.
Questionado se Netanyahu tinha conhecimento do dinheiro que recebia, Urich afirmou: "Há uma grande diferença entre o que acontece no estrangeiro e o que acontece aqui (Israel)", apontou. "Não respondo ao primeiro-ministro pelo que faço", defendeu.
Contribuiu para a fuga de informação ocorrida em 2024, que envolvia informações militares confidenciais — especificamente sobre um alegado plano do então líder do Hamas, Yahya Sinwar, para fugir, juntamente com vários reféns israelitas, através do Corredor Filadélfia.
Apesar de trabalhar para melhorar a imagem do Qatar tendo em vista o Mundial de 2022, não deixou de "atacar o Qatar a partir de Israel", disse Urich, segundo o Canal 12.
Outros altos escalões do Exército e da Mossad, como Yoav 'Poli' Mordechai, também colaboraram com o Qatar, adiantou.
Urich é acusado de fornecer informações confidenciais, resultando em "danos para o Estado" e "colocando em risco a segurança nacional".
O ex-conselheiro desvalorizou as acusações sobre o financiamento do Qatar ao Hamas e a sua própria colaboração com o país.
"Não vejo qualquer conflito. Não acredito que exista um problema moral. Não creio ter feito nada de imoral ou pouco profissional", declarou.
A revelação surge a uma semana das eleições legislativas de Israel, marcadas para 27 de outubro.
As eleições para o 26.º Knesset serão as primeiras desde os ataques do Hamas de 07 de outubro de 2023.
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