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Sem Vitinho, quem manda os nossos filhos para a cama?

Observador ·
Sem Vitinho, quem manda os nossos filhos para a cama?

“Está na hora da caminha, vamos lá dormir…” Quem tem mais de 35 anos ouve esta frase e sente logo um cheiro a pijama quentinho e a leite morno.

Era o “Boa Noite, Vitinho!”, a rubrica que estreou a 2 de fevereiro de 1986 na RTP, criada por José Maria Pimentel para a marca Milupa. Durava poucos segundos, uma cançãozinha envolta em ternura, um boneco a bocejar e pronto, estava dado o sinal.

As crianças de Portugal inteiro sabiam que era hora de desligar as luzes e descansar.

O que o Vitinho fazia, sem que ninguém desse por isso, era impor uma fronteira. Não havia negociação possível: a televisão, esse mesmo aparelho que hoje tememos como inimigo número um da infância, tinha uma grelha fixa, um horário rígido, um fim. Depois do Telejornal vinha o Vitinho, e as crianças sabiam, porque toda a gente sabia que era hora de ir para a cama.

Hoje, uma criança pode estar às duas da manhã a ver o oitavo vídeo seguido de alguém a abrir brinquedos, porque o YouTube nunca diz “boa noite”. Não há Vitinho, não há sinal, não há corte. Há apenas o autoplay, silencioso e infinito, e uns pais cada vez mais sozinhos na tarefa de dizer “chega”.

E aqui está a ironia que ninguém gosta de admitir: a televisão, hoje acusada de viciar e amolecer os miúdos, foi durante décadas uma aliada silenciosa da disciplina parental. Não porque fosse pedagógica, mas porque tinha limites. Começava e acabava. Isso, por si só, já educava.

O problema do streaming e das plataformas não é serem digitais — é não terem princípio nem fim marcados. Tiramos aos pais um aliado estrutural e devolvemos-lhes a tarefa inteira, sem rede: sem grelha fixa, sem rubrica das boas-noites, sem nada que imponha um limite antes de ser preciso levantar a voz.

Porque, esta noite, alguém vai ter de mandar os nossos filhos para a cama.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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