A empatia não é um sentimento. É uma forma de cuidar
Quando lançámos a primeira edição dos Prémios Empatia na Saúde, pedimos às pessoas que nomeassem alguém que tivesse feito a diferença pela forma empática como cuidou. As respostas chegaram de diferentes pontos do país e, depois de agregadas as nomeações repetidas, deram origem a 149 pessoas, equipas ou projetos nomeados.
A Medicina e a Enfermagem têm, como seria expectável, uma presença muito expressiva. Mas a lista de candidaturas conta com uma multiplicidade de papéis que muito nos orgulha. Entre os nomeados encontramos também psicólogos, assistentes sociais, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, técnicos auxiliares de saúde, cuidadores, um segurança, colaboradoras de um bar e de um refeitório, gestores, associações, equipas e projetos.
Esta diversidade talvez seja, por si só, uma primeira conclusão sobre a empatia na saúde: a experiência de ser cuidado não acontece apenas dentro de um consultório. Constrói-se em todos os encontros que uma pessoa tem quando está doente ou vulnerável.
Mas havia outra pergunta que nos interessava particularmente: quando alguém decide nomear outra pessoa por ser empática, que comportamentos destaca e mais valoriza?
Não foi dada aos proponentes uma definição de empatia para reproduzir. Pedimos-lhes situações concretas, impacto e exemplos. E foi precisamente por isso que, ao analisar as candidaturas, surgiu uma espécie de definição espontânea, construída a partir da experiência de quem esteve do outro lado dos cuidados.
A empatia aparece, antes de mais, como presença e disponibilidade: ficar, acompanhar, dar tempo, estar acessível quando a situação se torna difícil.
Aparece também como escuta e reconhecimento da pessoa para além da doença: olhar nos olhos, perceber o medo, respeitar o ritmo, incluir a família, explicar novamente quando é necessário, lembrar-se de alguma coisa que parecia pequena mas que, para aquela pessoa, não era.
E aparece repetidamente como ação. Nas histórias que recebemos, a empatia raramente é apenas uma intenção ou uma característica de personalidade. Ela torna-se visível porque alguém faz alguma coisa com aquilo que compreendeu do outro: telefona, procura uma solução, adapta um procedimento, facilita um processo, acompanha, explica, protege ou permanece.
A empatia que deixa marca não é apenas pensada ou sentida. É essencialmente transformada em comportamento. E quase nunca são gestos heróicos.
São, muitas vezes, gestos extraordinários e aparentemente “banais”: sentar-se em vez de falar de pé, desligar por momentos o computador, chamar alguém pelo nome, perguntar e esperar verdadeiramente pela resposta, explicar uma decisão, reconhecer um medo ou lembrar-se de perguntar pela família na consulta seguinte.
Devemos reconhecer a importância desta aparente simplicidade. Num contexto de doença, incerteza e vulnerabilidade, aquilo que para um profissional pode representar alguns segundos, pode permanecer durante anos na memória de quem estava a ser cuidado.
Há, contudo, uma dimensão que aparece menos espontaneamente nas candidaturas: a autonomia e a participação nas decisões, o que nos parece merecer a nossa reflexão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.