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O último refúgio do tubarão-do-Ganges foi encontrado. Agora começa a luta para o salvar

CNN Portugal ·
O último refúgio do tubarão-do-Ganges foi encontrado. Agora começa a luta para o salvar

O tubarão-do-Ganges não é nada senão esquivo. Vive em águas turvas e salobras, e é uma das apenas três espécies de tubarões fluviais existentes no mundo - sendo quase impossível observá-lo na natureza. Nunca foi fotografado vivo. A única evidência de que os biólogos dispõem surge quando um exemplar aparece morto como captura acessória. Mesmo assim, podem encontrar apenas uma barbatana.

A espécie, criticamente ameaçada, vive em várias zonas do Paquistão, Índia, Bangladesh, Malásia e Myanmar, mas acredita-se que a maioria das populações esteja a diminuir. Segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN, restam cerca de 240 adultos. O último avistamento publicado de um tubarão-do-Ganges perto do seu rio homónimo ocorreu em 2017 .

Mas, depois de décadas de avistamentos esporádicos no Sul e Sudeste Asiático, poderá ter sido encontrado o último reduto do tubarão-do-Ganges num canto remoto da Indonésia. Novos trabalhos de campo oferecem agora uma nova esperança de que a espécie possa ter futuro naquele local.

Em 2023, o investigador Michael Grant, da James Cook University, na Austrália, liderou uma missão exploratória com parceiros da University of Borneo Tarakan e da Hasanuddin University até ao Norte de Kalimantan. Não se sabia que o Bornéu indonésio fazia parte da área de distribuição do tubarão. Mas, ao visitar uma aldeia junto ao rio Sesayap, Grant encontrou um pescador que capturou acidentalmente 17 tubarões-do-Ganges numa semana. Esse número era superior ao de exemplares identificados em todo o mundo nos 20 anos anteriores, afirma Grant.

“Suspeitávamos que ainda estivessem nos rios do Bornéu, mas nunca ninguém tinha ido procurá-los”, acrescenta.

“Foi uma descoberta tão emocionante e importante”, afirma Benaya Simeon, uma doutoranda indonésia da Charles Darwin University, que fez parte da expedição.

Simeon já tinha visto outras espécies de tubarões fluviais, em zonas imaculadas do remoto Território do Norte da Austrália. “Sinceramente, não pensei que ainda tivéssemos este tipo de habitat na Indonésia, particularmente no Norte de Kalimantan, tendo em conta a nossa grande população humana e as pressões provocadas pela mineração, pelas plantações de palma e por outros empreendimentos”, considera.

A descoberta levou o IUCN SSC Shark Specialist Group a designar o rio Sesayap como uma Important Shark and Ray Area (ISRA) em 2024.

Em maio, a equipa de investigadores regressou para investigar mais profundamente e dar início à proteção daquele que Grant descreve como “potencialmente a última população viável do mundo”.

“Foi um sucesso retumbante”, afirma, acrescentando que a maioria das comunidades com quem falaram estava “feliz por ser guardiã desta espécie”.

Felizmente, Grant acredita que é pouco provável que a população seja explorada deliberadamente.

“Não parece haver qualquer dependência dos meios de subsistência ou significado cultural” associado ao tubarão, explica. Os habitantes das aldeias não gostam do seu sabor, afirmou, e as suas barbatanas finas não são atrativas para o mercado asiático de barbatanas de tubarão.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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