O regresso aos debates ameaça a estabilidade no PSD?
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Edição de domingo de Youvencedoré, com notas para dar de zero a 20. Hoje pelo Anselmo Crespo e também o Gonçalo Doroteia Sebada. A condução deste Youvencedoré é contigo, Miguel Cordar.
Anselmo, Gonçalo, bem-vindos à Rádio Observador. É bom ter a casa cheia também ao domingo. Vamos começar por Pedro Passos Coelho, que agora parece ter regressado com mais força do que tinha regressado das vezes anteriores. Anselmo Crespo, uma tomada de posição mais definitiva de Pedro Passos Coelho. Esta presença num livro, este estudo anunciado com resultados para novembro, é já um posicionamento mais concreto?
Eu acho que as pessoas ainda não viram nada, porque ainda nem sequer viram o estudo e, mais importante ainda, as propostas que vão surgir nesse estudo, que eu não conheço. Não conheço eu e eu acho que nem os próprios coordenadores do estudo ainda as têm definidas. Eu estive num dos encontros na passada sexta-feira com Pedro Passos Coelho, com o Sérgio Sousa Pinto e com o Nuno Botelho, e também, já agora, com a Faculdade de Economia do Porto, que é quem está a ajudar a construir este estudo sobre os bloqueios à economia portuguesa. Este é o primeiro de dois estudos que esta equipa, que é a Associação Comercial do Porto, pretende apresentar até o final do ano. O outro tem a ver com a reforma do sistema político. E por isso é que eu dizia que eu acho que as pessoas ainda não viram nada, porque se o tema da economia e dos bloqueios à economia portuguesa já de si dá muito o que falar e poderia constituir quase um programa de governo ou um programa eleitoral, imaginem a discussão sobre a reforma do sistema político, que nos últimos anos deu o que deu, cada vez que alguém tentou sequer colocar a possibilidade de discutir este assunto. E sobre este posicionamento de Pedro Passos Coelho, eu gostava de dizer duas coisas. A primeira muito rápida: cada vez que Pedro Passos Coelho aparece, começa esta discussão sobre se ele quer voltar, não quer voltar. Eu acho que não vale a pena estar a chover no molhado, é mais ou menos óbvio pra toda a gente que Pedro Passos Coelho tem uma ideia pro país, tem uma ideia do que é que gostaria de fazer se fosse primeiro-ministro outra vez. Acho que ele não esconde isso, não faz tabus com isso. Acho que ele não pode responder à única pergunta que toda mundo quer que ele responda, que é quando é que volta. E eu acho que ele não pode, porque não sabe. Desde logo, não sabe sequer se vai ter possibilidade de o fazer.
Mas faz sentido perguntar o que quer pro país sem saber se volta ou não?
Faz. O país não se faz apenas daqueles que estão à frente de um governo. O país se faz da sociedade civil, da academia, das associações. As pessoas podem ter uma visão pro país e não serem necessariamente todas primeiros-ministros. O meu ponto aqui é: para ser primeiro-ministro, tem que haver uma oportunidade política para isso acontecer. E neste momento não há nenhuma oportunidade, nenhuma janela, nenhuma porta. Não quer dizer que não venha a surgir. Eu não vejo nenhuma e eu acho que o próprio Pedro Passos Coelho não vê nenhuma.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.