Presidente da Microsoft quer leis para manter IA sob controlo humano e critica autorregulação
O presidente e vice-chairman da Microsoft defendeu esta terça-feira que o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) tem de permanecer sob controlo humano e que as empresas do setor não se podem limitar à autorregulação.
Brad Smith considera necessárias regras e leis que obriguem a manter esta tecnologia sob supervisão humana, numa altura em que as suas capacidades estão a evoluir mais depressa do que os mecanismos de segurança.
“Devemos esperar que existam regras e leis que exijam que a IA permaneça sob controlo humano”, afirmou o responsável, durante um encontro com jornalistas em Dublin, na Irlanda, na véspera do International AI Summit 2026.
Para Brad Smith, é necessário que tanto as empresas como os governos assumam responsabilidades na prevenção dos riscos associados à tecnologia.
“Precisamos de agir com urgência”, sublinhou o presidente da Microsoft, reconhecendo que “as capacidades estão a evoluir mais depressa do que a segurança”.
Questionado sobre se a regulamentação poderá estar a chegar tarde, deixou uma resposta direta: “Vamos começar hoje.
É a única coisa que podemos fazer.” Computação confidencial, o trunfo da Microsoft para a cloud Ler Mais Uma das principais preocupações do responsável diz respeito aos agentes de inteligência artificial, sistemas capazes de executar tarefas e interagir com outros sistemas digitais.
À medida que estes agentes ganham autonomia, Brad Smith defende a criação de mecanismos que permitam interromper ou abrandar o seu funcionamento quando surgem riscos.
A proposta passa pela existência de “safety breaks” em diferentes níveis da infraestrutura tecnológica.
Estes mecanismos não devem existir apenas nos sistemas desenvolvidos pelos laboratórios de IA, mas também nos serviços de computação na nuvem e nos equipamentos utilizados pelos clientes.
“Devemos colocar um travão de segurança tão perto quanto possível do utilizador do sistema”, afirmou.
Brad Smith recorreu ao exemplo de um disjuntor elétrico numa habitação para defender que, se um agente de IA estiver a controlar equipamentos domésticos e surgir o risco de um incidente, o utilizador deve poder interromper o sistema sem depender da intervenção da empresa que o desenvolveu.
“Não quero ligar à empresa de eletricidade e pedir-lhe que corte a energia da cozinha porque existe o risco de um incêndio”, exemplificou.
O responsável considera que a capacidade de intervenção deve estar disponível onde os sistemas operam, embora reconheça que também poderá haver situações em que os mecanismos de segurança tenham de existir na infraestrutura de computação ou nos próprios modelos.
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