Vitória de Lula nas eleições aproxima Brasil da China e triunfo de Flávio dos EUA, dizem analistas
As eleições presidenciais brasileiras vão colocar frente a frente dois projetos de política externa, com Lula da Silva virado para a China e Sul Global e Flávio Bolsonaro inclinado para uma aproximação aos Estados Unidos de Donald Trump.
À Lusa, o cientista político, sócio fundador da Consultoria de Análise de Risco Político Dharma, Creomar de Souza detalhou que, caso haja uma vitória do atual Presidente brasileiro nas eleições de outubro, o Brasil tende a seguir investindo na maior aproximação com a China, com a Índia, com a Rússia, com os BRICS , “tentando criar momentos de cooperação com o Sul Global.” Por outro lado, caso a vitória recaia para o senador e filho mais velho do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, haverá “uma maior aproximação àquilo que o restante do continente tem feito em direção aos Estados Unidos ”, conforme se tem visto na Argentina, disse.
Também ouvido pela Lusa, o diplomata de carreira aposentado e professor universitário Paulo Roberto de Almeida considerou que Flávio Bolsonaro deverá reproduzir, embora de forma menos ostensiva, o alinhamento que o pai teve durante o seu mandato (2019-2022), quando coincidiu com o primeiro Governo de Donald Trump.
“Você pode esperar que o I love you Trump do Bolsonaro possa ser repetido pelo Flávio Bolsonaro, talvez não com essa ênfase”, apostou o antigo ministro-conselheiro na Embaixada em Washington (1999-2003) e assessor Especial no Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (2003-2007).
Em sentido oposto, Paulo Roberto de Almeida argumentou que Lula da Silva mantém, desde o início do seu primeiro mandato (1 de janeiro de 2003), uma orientação ideológica favorável a Pequim e Moscovo.
“O Lula é um antiocidental, um antiamericano, que acha que Rússia e China vão criar essa tal de nova ordem global multipolar”, sublinhou.
Na passada quarta-feira, em plena campanha eleitoral, o assessor especial de Lula da Silva, Celso Amorim, deslocou-se a Pequim para manter um encontro com o principal diplomata da China, Wang Yi.
Citado pelo Diário do Povo , o jornal oficial do Comité Central do Partido Comunista da China, Wang Yi sublinhou que “a China e o Brasil devem continuar a aprofundar a cooperação e a fortalecer a coordenação estratégica em importantes questões internacionais e regionais”.
A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e as trocas comerciais bilaterais atingiram, em 2025, um recorde de 171 mil milhões de dólares (cerca de 149 mil milhões de euros).
O Brasil foi ainda o principal destino do investimento chinês em 2025, com 6,1 mil milhões de dólares (cerca de 5,3 mil milhões de euros).
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