A religião secular, os seus discípulos nos ‘media’ e a guerra contra os factos
Imaginem um Parlamento Ocidental onde é exibido um documentário sobre as atrocidades nazis e uma parte significativa dos deputados abandona a sala em protesto.
O resultado seria o suicídio político imediato dos infratores, a excomunhão cívica e uma indignação unânime.
No entanto, quando em 2008 o Parlamento Europeu exibiu The Soviet Story – revelando a cooperação entre a polícia secreta de Estaline (o NKVD ) e a Gestapo, o Holodomor e o terror do Gulag –, a reação da esquerda radical e das correntes pró-Kremlin foi precisamente o boicote e a acusação de "revisionismo".
Uma memória que esta semana vale a pena recuperar, pois este domingo, dia 23, foi o Dia Europeu de Memória das Vítimas do Estalinismo e do Nazismo – data da assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop, em 1939.
Já agora, o poderoso documentário (que deveria passar todos os anos nas escolas) pode ser visto no YouTube .
Esta assimetria não é um mero acidente histórico; é o pilar de uma imunidade moral profundamente enraizada.
Em Portugal, ainda há pouco tempo, assistimos em plenário à líder parlamentar do PCP a saudar os "avanços extraordinários" da União Soviética, lamentando o seu fim.
Vimos o secretário-geral do partido viajar para Havana para festejar o legado de Fidel Castro – o mesmo ditador responsável por milhares de fuzilamentos, pelos campos de trabalho forçado das UMAP, pelas deportações dos pueblos cautivos e pela segregação compulsiva de doentes com sida em "sidatórios" nos anos 80 e 90.
Houve comissões de ética, indignação editorial em horário nobre ou quaisquer exigências de cordão sanitário? Nem uma palavra.
O elogio a regimes que empilharam dezenas de milhões de mortos é tolerado como um inofensivo folclore ideológico.
Toda esta complacência assenta numa simples, mas atroz, deformação epistemológica.
Qualquer pessoa intelectualmente honesta, ajusta as suas convicções quando confrontada com factos novos.
Já o dogmático prefere alterar a realidade quando esta recusa encaixar na sua utopia.
Foi esta cegueira que levou, por exemplo, o maoísmo a proibir a Teoria da Relatividade de Einstein por ser "burguesa e reacionária" – e que “ao fim do dia” resultou nos mais de 40 milhões de mortos do Grande Salto em Frente, provocados pela imposição de pseudociência e pela deliberação ideológica sobre a agronomia.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.