O caso chocante de um abusador português
Tenho uma cliente que vive uma relação tóxica.
Ainda não começou verdadeiramente, o que é sempre um mau sinal.
Há relações que começam pelo fim.
Esta começa pelos maus-tratos.
Há um dilema profissional.
Digo-lhe a verdade – que o futuro ainda será pior – e perco o cliente? Ou passo eu a tratar do caso e lucro com a desgraça alheia? Digo-lhe que vai passar, que é uma fase, que todos os grandes amores têm silêncios, desprezo, fugas, promessas adiadas e pedidos de transferência bancária? Digo-lhe que tudo vai valer a pena? E que, quando ele diz “hoje não posso estar contigo, talvez amanhã muito cedinho, se me procurares muito antes das nove", isso pode ser apenas uma maneira pouco convencional de dizer “amo-te”? Tudo começou como começam as más relações – uma promessa de futuro.
Ele também já tinha sido vítima.
Uma relação abusiva, longa e complicada, cheia de maus-tratos de quem o devia proteger.
Garantiu-lhe que com eles seria diferente.
Haveria estabilidade.
Paz.
Algum dinheiro, mas sobretudo a tranquilidade de poder acordar e saber o que vai acontecer nesse dia.
À beira-mar, com sol e, talvez, uma esplanada.
Portugal, enfim.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.