Julgamento de suspeito começa 30 anos após homicídio de Tupac Shakur
D avis, de 63 anos, poderá ser condenado a prisão perpétua se for considerado culpado de homicídio com arma letal com intenção de promover ou apoiar um grupo criminoso.
O arguido declarou-se inocente na segunda-feira, com o advogado a descrever a narrativa da acusação como ficção.
Na abertura do julgamento, um procurador afirmou que, embora poucos tenham estado dispostos a falar sobre o homicídio de Tupac, Davis é "a única pessoa que tem tido dificuldades em ficar em silêncio".
"Sejamos claros: Duane Davis não puxou o gatilho. Mas planeou o tiroteio em retaliação pela agressão ao seu sobrinho", disse o procurador-adjunto Binu Palal aos jurados no início do julgamento em Las Vegas. "Notavelmente, vão ouvir isso do próprio Duane Davis", acrescentou.
Palal mostrou imagens da comitiva de Shakur a agredir Orlando "Baby Lane" Anderson, sobrinho de Davis, à saída de um combate de boxe no MGM Grand, horas antes do tiroteio de 07 de setembro de 1996.
Segundo o procurador, Davis passou as duas horas seguintes a planear a vingança, e Shakur foi abatido "num ato de retaliação".
Shakur continua a ser um ícone cultural e é considerado um dos rappers mais influentes e versáteis de sempre, apesar de ter morrido aos 25 anos.
Em entrevistas a investigadores entre 1998 e 2009, Davis admitiu ter estado em Las Vegas na noite do crime e descreveu ter entregue a arma aos homens no banco de trás de um Cadillac branco, que dispararam contra o BMW negro onde seguiam Shakur e Marion "Suge" Knight, empresário da indústria musical do hip-hop e ex-CEO da produtora Death Row Records.
Knight, figura central do hip-hop da Costa Oeste e único sobrevivente do ataque, consta da lista de testemunhas, embora tenha declarado não querer participar.
O antigo produtor cumpre uma pena de 28 anos de prisão na Califórnia por ter atropelado mortalmente um empresário em 2015.
A acusação também pretende usar o livro de memórias de Davis, Compton Street Legend (2019), e várias entrevistas, apesar da oposição da defesa.
O advogado Michael Sanft insistiu que "não há factos" e que Davis nunca foi acusado antes porque as autoridades sabiam que ele estava "a inventar".
O defensor criticou ainda falhas na investigação inicial e descreveu o trabalho de um detetive como "tendencioso, descuidado e incompleto".
O caso, que durante décadas intrigou a comunidade hip-hop, só levou a uma acusação formal em 2023, contra Davis.
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