Supremo russo rejeita recurso e mantém exclusão de partido antiguerra
O Yabloko tentou refutar as acusações de financiamento estrangeiro e violação dos direitos de autor apresentadas contra a formação política, mas a alta instância rejeitou todos os argumentos.
Durante a sessão de hoje, 85 apoiantes do Yabloko foram detidos quando se manifestavam em frente ao tribunal, segundo denunciou o partido.
A formação liberal já afirmou que irá apresentar, de qualquer forma, uma queixa junto da Presidência do Conselho de Estado, esgotando assim todas as suas opções no âmbito da lei para poder concorrer às eleições de setembro através de listas partidárias.
Os juízes recusaram-se a ter em conta as explicações do partido antiguerra, entre as quais figurava um relatório sobre doações milionárias provenientes do estrangeiro para o Rússia Unida, o partido do Kremlin (presidência russa), e para todas as formações leais ao regime do Presidente russo, Vladimir Putin.
De acordo com esses documentos, os cinco partidos com representação parlamentar receberam, entre 2021 e 2025, pelo menos 1.153 milhões de rublos (cerca de 11,7 milhões de euros ao câmbio atual) em doações "com indícios de financiamento estrangeiro".
Por isso, o Yabloko exigia que a decisão do Supremo Tribunal fosse anulada ou que esse critério fosse aplicado de forma coerente a todos os partidos que participam nas eleições parlamentares de 20 de setembro.
O conhecido jornalista independente Mikhail Zigar afirmou no sábado que foi Putin quem tomou pessoalmente a decisão de excluir o Yabloko, cujo lema eleitoral "Pela paz e pela liberdade" contrasta com o do partido do Kremlin, "Tudo pela vitória".
Momentos antes de o Supremo revelar o seu veredicto, um tribunal da região noroeste de Pskov condenou a 11 anos e um mês de prisão um líder histórico do Yabloko, Lev Shlosberg, por criticar a chamada "operação militar especial" na Ucrânia.
Numa reação à condenação, o Yabloko afirmou que a decisão reflete "o colapso do sistema judicial russo contemporâneo".
Shlosberg, 63 anos, que já se encontrava em prisão domiciliária desde junho de 2025, e já tinha sido alvo de outras condenações no passado, denunciou perante o tribunal o que considera ser uma "perseguição judicial" por ordem do Kremlin.
A maioria dos opositores de Vladimir Putin encontra-se presa, no exílio ou morta, e o Yabloko é o único partido liberal ainda em atividade na Rússia.
Esta formação tinha recebido, na perspetiva das próximas eleições legislativas, o apoio de várias figuras da oposição exiladas no estrangeiro, entre as quais Yulia Navalnaya, viúva do opositor Alexei Navalny, que morreu em 2024 na prisão.
Entre outras questões, o Yabloko exige a cessação imediata dos combates e o início célere de negociações de paz com a Ucrânia, além da libertação dos mais de 1.750 presos políticos.
O Yabloko é o único partido que, desde a queda da antiga União Soviética, se opôs a todas as guerras em que a Rússia esteve envolvida, na Chechénia (1994), na Síria (2015) ou na Ucrânia (2022).
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