REN compara bem com congéneres, mesmo com prémio que o Estado vai pagar
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, defendeu que a reentrada do Estado no capital da REN – Redes Energéticas Nacionais tem objetivos estratégicos, mas é, também, “um bom negócio”.
O mercado não discorda.
O preço que a Parpública vai pagar está alinhado com a avaliação média dos operadores de redes congéneres na Europa.
A aquisição pela Parpública da participação de 13,7% na REN – Redes Energéticas Nacionais vai ser feita por 380 milhões de euros, o que representa um prémio de 17% face à cotação da empresa a 14 de agosto, quando foi comunicado o negócio.
Este valor representa um acréscimo de cerca de 55 milhões de euros para a compra das 91.723.676 ações que a espanhola Pontegadea Inversiones detém na empresa liderada por Rodrigo Costa, face ao fecho de sexta-feira, e está inscrito no contrato que foi enviado para o Tribunal de Contas, como apurou o Jornal Económico.
Este negócio avalia a empresa em 2,76 mil milhões de euros.
O lucro da REN subiu 42,2%, para 93,4 milhões, e estima-se que feche o ano com um resultado líquido de 167 milhões de euros.
Estes valores mostram que avaliação da empresa pela Parpública é de 16,4 vezes o lucro esperado.
O rácio preço/lucro (price to earnings ratio, PER, na terminologia inglesa) mede quantas vezes o mercado está a pagar pelos lucros anuais de uma empresa e é um indicador de comparação usado pelos investidores.
Olhando para o PER da REN face ao das congéneres europeias, ao preço pago pela Parpública, o múltiplo compara bem.
Está quase em linha com as 16,3 vezes da Redeia, o operador espanhol de transporte de eletricidade, e supera as 18,4 da Enagás, responsável pelo transporte e armazenamento de gás em Espanha.
Também é melhor do que as 17,6 vezes o lucro que o mercado paga no caso da Terna, operador italiano da rede elétrica.
Melhor ainda com as 19,3 vezes do Elia Group, que opera redes na Bélgica e na Alemanha.
Fim da exceção Portugal é o único dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE) sem qualquer participação pública nacional no operador da rede de transporte de eletricidade, o que será alterado se se concretizar a compra pela Parpública da participação na REN.
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