O cinema chegou a Viseu 2.ª parte (1912-1930)
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Olá, seja bem-vindo à História das Histórias. Eu sei que está com muita vontade de ouvir a segunda parte desta crônica do Jorge Adolfo Marques, historiador, professor, mestre em arqueologia, que hoje vai não recuar tanto no tempo, mas avançar. E vamos continuar a falar da chegada do cinema a Viseu. Desta vez, a segunda parte. Vamos já começar no século XX, em 1912. Olá, Jorge. Bem-vindo. Vamos a isso.
É verdade. Olá, Jorge. Ontem terminamos com a despedida das madmoizelles.
Importa dizer que este cinema mudo era efetivamente mudo, mas dentro da sala havia muito barulho. E havia música, havia músicos que acompanhavam as cenas.
Exatamente, o António Lopes Ribeiro. Exatamente, acompanhavam as músicas. Como havia uma grande taxa de analfabetismo em Portugal e também aqui na cidade, era uma taxa esmagadora de analfabetismo, os intertextos, aquelas entre as cenas-
Exatamente, tipo legenda ou diálogo. Eram lidos por alguém que sabia ler e lia em voz alta. E ao estilo Vaudeville, havia também outros espetáculos, outras intervenções artísticas que decorriam entre ou no final ou no início da projeção dos filmes. Portanto, é engraçado as tais madmoizelles que vão dizer as boas noites.
Ora, em 1912, vamos aqui avançar ainda pelo cinema mudo, até chegarmos um pouco mais à frente, aos anos 30, em que deixa de ser cinema mudo e vamos ter então o cinema sonoro. Foi em janeiro de 1912 que começaram as exibições regulares no Teatro Viriato. Portanto, o Teatro Viriato, como eu referi ontem, tinha cinema, mas não era regular. Então passou a ter cinema regular. E por quê? Porque passou a ter uma máquina de projetar fixa, que foi alugada à empresa cinematográfica portuguesa. Tal facto veio a concorrer para que a progressiva sedentarização do espetáculo cinematográfico neste local, bem identificável no tecido urbano visense, e continua a ser hoje uma referência, o Teatro Viriato.
Num processo que foi muito semelhante em outras cidades, como Lisboa, que foi muito bem estudado por Margarida Aciauoli. Em todo caso, nas décadas de 20 e 30, continuou a ser exibido cinema em diversos pontos da cidade, nomeadamente ao ar livre, no Campo da Feira, durante as festas de Santo António, em associações recreativas e cívicas como o Grêmio de Viseu, em salões temporários como o Olímpia, durante a Feira Franca. Já fizemos aqui referência à Feira Franca, a Feira de São Mateus.
Portanto, nesses espaços muito concorridos, montavam uma tenda e era projetado o cinema, porque as pessoas gostavam do cinema. E mesmo ao ar livre, que continua a ser uma tradição aqui na cidade de Viseu, nomeadamente pelo Cineclube de Viseu, que continua a projetar programas de cinema ao ar livre.
Luciano Dias de Sousa, que foi um empresário importante ligado ao cinema e ao teatro em Viseu, também levava o espetáculo cinematográfico a casas particulares. O que é muito curioso. E a festas populares. Repare-se, o cinema era um espetáculo novo, era uma novidade, as imagens em movimento, cômicas, de sítios exóticos. Portanto, tudo isso era muito procurado.
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