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Do rio Tejo ao mar da Caparica, a Atalaia será livre

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Do rio Tejo ao mar da Caparica, a Atalaia será livre

No próximo fim-de-semana, o PCP celebra a 50ª Festa do Avante! Mais do que os parabéns por esta efeméride, o Partido merece que se elogie publicamente a sua coragem. Todos conhecemos a história de bravura dos comunistas portugueses, forjada nos calabouços da PIDE e na dureza da clandestinidade, mas julgo que nunca, como agora, deram provas de tão grande valentia física. É preciso ser-se muito destemido para convidar a Frente Popular para a Libertação da Palestina e arriscar a própria pele. É que o Avante! é uma espécie de festival de música e a FPLP foi um participante activo e entusiástico no massacre do Festival Nova, a 7 de Outubro de 2023. Será boa ideia? Sabe-se se lá se os militantes do FPLP, quando começarem a ver pessoas dançar num concerto, não desatam outra vez aos tiros. Isto é como convidar a Al Qaeda para o Red Bull Air Race Show. Uma simpatia que pode correr mal.

O PCP já veio dizer que “não rege as suas relações internacionais por critérios arbitrariamente impostos por entidades sem qualquer credibilidade”, referindo-se implicitamente à União Europeia, que considera a FPLP uma organização terrorista. Faz bem. Isto é uma questão subjectiva e o PCP tem uma visão oposta. A diferença de opiniões pode ter a ver com alguma ambiguidade no nome da FPLP. As pessoas lêem “Frente Popular” e dá a sensação de que é um grémio de gente gira que combina umas passeatas. Talvez houvesse mais clareza se traduzíssemos como “Popular à Frente”. Só para ficarmos com a ideia de que é uma organização paramilitar que se esconde atrás de civis, que usa como escudos humanos para desenvolver as suas actividades sem risco para si.

Paulo Raimundo disse: “Se os critérios do PCP fossem os critérios de instituições que não têm nenhuma legitimidade para classificar este ou aquele, nós teríamos estado anos inibidos de fazer uma coisa que nunca fizemos, foi de nunca vergarmos perante aqueles que acusavam Mandela, que acusavam a luta e a libertação da África do Sul como uma luta terrorista” . Gostei de ouvir o secretário-geral do PCP falar em Mandela. É sinal de que no Avante! já se podem referir activistas africanos que enfrentam a prisão por lutarem contra os governos iníquos do seu país. Ainda há poucos anos, isso não era possível. Em 2018, o PCP proibiu a venda do livro “Sou eu mais livre, então” , de Luaty Beirão. Tratava-se do diário que o activista angolano escreveu na prisão, depois de ter participado numa sessão de leitura de um livro proibido – esse pelo MPLA, não pelo PCP. Ao referir Mandela mas excluir Luaty, o PCP mostra que é solidário com os negros que são oprimidos por brancos, enquanto borrifa nos negros que são oprimidos por outros negros. Mas já é um princípio.

Além de questões ideológicas e de afinidade antissemita, é possível que o convite do PCP também tenha sido interesseiro. O contingente de militantes da FPLP pode gerar poupanças à organização da Festa. Realizam de graça o trabalho que habitualmente é executado pela segurança do recinto. Nomeadamente, de perseguição, agressão e sequestro de homossexuais em carrinhas.

O que os seguranças fazem por dever profissional, os palestinianos farão por gosto.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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