IVG "descontinuadas" no Garcia de Orta? Hospital indica que é temporário
Em resposta à Lusa, a Unidade Local de Saúde Almada Seixal, da qual faz parte o Hospital Garcia de Orta, confirmou que não está "a ser possível, neste momento, garantir resposta atempada às mulheres que pretendem avançar com a Interrupção Voluntária da Gravidez".
Por isso, "a ULS Almada-Seixal (ULSAS), mantendo o seu compromisso assistencial, firmou protocolo com um estabelecimento oficialmente reconhecido pela Direção-Geral da Saúde (DGS) para a realização de interrupção da gravidez por opção da mulher", acrescentou, sem precisar o local.
A ULSAS adiantou ainda que "a solução temporária encontrada permite assegurar resposta atempada e segura às mulheres, sendo expectativa da ULSAS retomar a resposta interna brevemente".
Em comunicado divulgado hoje, as comissões de Utentes de Saúde dos concelhos do Seixal e de Almada, no distrito de Setúbal, referiram que a consulta de Gravidez Não Desejada da ULSAS "foi descontinuada" na segunda-feira, "sendo criadas novas regras de acesso à IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez), cujo procedimento passará a ser feito numa clínica privada em Lisboa".
Na nota, as comissões consideraram que esta decisão sujeita as mulheres a um conjunto de formalidades burocráticas suscetíveis de dificultar a concretização da sua decisão e defenderam que, "dadas as intercorrências que poderão surgir durante o procedimento, os hospitais públicos são o local privilegiado para a fazer".
"As comissões de utentes da Saúde do Seixal e de Almada repudiam a retirada desta importante valência para a saúde física e psicológica da mulher e reivindicam a sua reintegração no SNS", referiram.
Também o grupo parlamentar do PCP enviou uma pergunta ao Governo "sobre a entrega a uma clínica privada" da Consulta de Gravidez não Desejada desde o início da semana.
Segundo o PCP, apesar de a ULSAS ter comunicado a possibilidade de a descontinuação da consulta ser temporária, "informou também que será extinto o email atualmente usado para este fim".
"Ao que se conhece, esta decisão terá sido justificada com carência de recursos humanos - médicos e de enfermagem, e, a partir daqui, as utentes, depois de se dirigirem ao seu Centro de Saúde serão encaminhadas para uma clínica privada em Lisboa, tendo as utentes que proceder ao agendamento junto da mesma e tendo que garantir o próprio transporte", sustentou o PCP, em comunicado.
Ainda de acordo com o PCP, este processo envolve pelo menos três entidades - cuidados de saúde primários, Hospital Garcia de Orta e clínica privada-, o que "pode levar a entropias causando mais dificuldades às utentes e podendo mesmo impedi-las de prosseguir com a sua vontade".
O PCP salientou ainda ser necessário esclarecer "desde quando é que esta decisão está tomada, uma vez que tendo sido anunciada agora, ela já inclui um processo de preparação".
"A entrega de partes da resposta do SNS ao setor privado é parte integrante e fundamental do processo de desvalorização e desmantelamento do SNS que o PCP repudia firmemente", acrescentaram os comunistas.
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