O PRR alavancou estruturalmente Portugal?
O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) nasceu num momento excecional.
A Europa decidiu responder à crise pandémica não apenas com solidariedade financeira, mas com uma ambição clara: tornar as economias europeias mais resilientes, mais competitivas e mais preparadas para a transição digital e climática.
A pergunta é legítima: Portugal utilizou este instrumento para transformar estruturalmente a sua economia ou limitou-se, em muitos casos, a financiar investimentos importantes, mas incapazes de alterar o modelo de crescimento do país? Uma economia transforma-se quando produz mais riqueza por trabalhador, quando cria empresas mais inovadoras, quando aumenta as exportações, quando atrai investimento produtivo e quando consegue reter os seus jovens mais qualificados.
É difícil afirmar que Portugal tenha dado esse salto.
O PRR representou um dos maiores programas de investimento público alguma vez disponibilizados pela União Europeia a Portugal.
Foi, sem dúvida, uma oportunidade histórica.
Uma oportunidade para modernizar o país, reforçar a competitividade da economia, qualificar os serviços públicos e preparar Portugal para os desafios das próximas décadas.
É justo reconhecer que o PRR permitiu concretizar investimentos importantes na Saúde, na Habitação, na Educação, na eficiência energética e na Ciência.
Muitos municípios, universidades, empresas e instituições conseguiram desenvolver projetos que dificilmente teriam avançado sem este instrumento europeu.
Também é verdade que milhares de portugueses beneficiarão, durante muitos anos, destes investimentos.
Mas um programa desta dimensão deve ser avaliado para além da sua execução financeira.
O verdadeiro critério de sucesso é o impacto estrutural que deixa na economia e na vida das pessoas.
E é precisamente aqui que importa fazer uma reflexão.
O desenho inicial do PRR, preparado pelo anterior Governo liderado por António Costa, privilegiou, em muitos casos, uma lógica de distribuição de verbas em detrimento de uma aposta mais ambiciosa na transformação do modelo económico nacional.
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