Educação física na escola: “O desporto deve ser ensinado a pertencer e não a ser rejeitado”
Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt À medida que começa um novo ano letivo, regressam também as aulas de educação física.
Teste da milha, o “Vai e vem” e jogos de várias modalidades fazem parte da experiência escolar de muitos alunos.
Mas, para além do desempenho físico, estas aulas podem ter consequências na forma como os jovens se veem a si próprios e se relacionam com os outros.
Para a psicóloga Francisca Ferreira, do Núcleo Casa no Porto, “o primeiro grande impacto que pode ter é na construção da autoestima”, explica.
“O sucesso do movimento e a superação de alguns desafios também mais práticos podem gerar um sentimento de eficácia”, diz a psicóloga, e acrescenta que esse sentimento pode ser transportado “até para outras disciplinas”.
Mas o efeito também pode ser o contrário: “Nas experiências de humilhação, na exposição negativa ao fracasso, não ter jeito para jogar determinado desporto […] às vezes criamos alguma aversão à própria atividade física”, alerta Francisca Ferreira.
Quando o erro deixa de ser apenas um erro Na educação física, o desempenho é visível.
Ao contrário de outras disciplinas, em que nem sempre é evidente perante toda a turma quem sabe ou não responder a determinada questão, nas aulas de educação física o corpo e o movimento estão expostos.
É essa exposição que, segundo a psicóloga, pode contribuir para níveis elevados de ansiedade.
O erro, o desempenho num jogo, a roupa utilizada ou até o próprio corpo podem tornar-se alvo da avaliação dos colegas.
A psicóloga alerta para o impacto que pode ter, por exemplo, “a questão da pesagem, no início do ano, haver aquela pesagem coletiva […] pode ser uma porta aberta na comparação entre pares”, afirma.
Por isso, defende que este tipo de procedimentos deve ser realizado “com máxima cautela”, de forma a evitar que a comparação entre alunos possa contribuir para problemas relacionados com a imagem corporal ou com a alimentação.
Inês, 17 anos, conta ao 24notícias que só teve de se pesar no 5.º e 6.º ano: “Lembro-me de odiar porque tinha excesso de peso e no final a professora dizia em voz alta o peso de toda a gente e eu ficava extremamente desconfortável, acho que uma vez até chorei”.
A aluna explica que deste então nunca mais teve de se pesar.
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