Líder da Anthropic acusa rivais de mentir sobre riscos da IA e rejeita estar a manobrar contra a concorrência
O cofundador e presidente executivo da Anthropic, Dario Amodei, acusou a indústria tecnológica de ter passado anos a mentir deliberadamente ao público e aos decisores políticos sobre os perigos inerentes à inteligência artificial (IA) e negou liminarmente estar a tentar fazer uma "captura regulatória" para fechar a porta a pequenas startups e a operadores emergentes.
Em declarações transmitidas já este domingo (13 de setembro) no programa Sunday Morning , da estação norte-americana CBS, o responsável rejeitou as acusações de que os seus apelos a um abrandamento regulatório sejam uma manobra encapotada para afastar novos rivais ou erguer barreiras ao mercado.
"Não vos vou mentir.
Existem perigos reais.
E acho que durante muito tempo a indústria mentiu às pessoas sobre o facto de esta tecnologia ser arriscada.
Nunca o fizemos [na Anthropic], mas grande parte da indústria sim", garantiu Amodei à jornalista Jo Ling Kent.
Segundo o responsável justificou a imposição de regras apertadas até prejudica, de imediato, a própria Anthropic, pois força a empresa a adiar o lançamento de modelos já finalizados por razões estritas de segurança.
Mas o gestor advertiu que a curva de avanço técnico entrou num patamar crítico: "Não acho que tivesse total noção de como seria quando o progresso se tornasse tão rápido como se tornou".
Esta nova intervenção pública de Amodei surge no rescaldo de dias agitados no setor, marcados pela demissão ruidosa do investigador de pré-treino Jacob Coxon — que acusou os laboratórios de ponta de estarem a "jogar com as nossas vidas" na corrida para uma superinteligência capaz de autoaperfeiçoamento.
No sábado, Amodei publicou um ensaio com o título We Must Pace the Frontier com a tese de que é necessário travar o ritmo das capacidades da IA em prol da segurança.
Este texto recolheu logo de seguida o apoio público de Sam Altman (OpenAI) e Elon Musk (xAI), numa atitude inédita no setor.
CEO da OpenAI junta-se ao apelo de Amodei enquanto enfrenta crise de custos e infraestruturas "Não temos de desligar tudo hoje" Questionado sobre a urgência de uma resposta, Amodei traçou uma linha entre prudência e histeria: "Não significa que tenhamos de entrar em pânico hoje.
Não significa que tenhamos de desligar tudo.
Mas diria que é um sinal de aviso.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.