Astrónomos fotografaram o planeta mais jovem de sempre
Tem menos de um milhão de anos e ainda está a nascer no meio do disco de gás e poeira que rodeia a sua estrela.
A maioria dos exoplanetas que encontramos existe há muito tempo. Já limparam a sua órbita (um dos requisitos para ser planeta, como os fãs de Plutão bem sabem), têm gravidade própria e, em muitos casos, brilham com luz infravermelha própria.
Mas chegar a esse ponto demora muito: encontrar planetas “jovens” é bem mais difícil.
Um novo artigo de uma equipa liderada por Andrea Bernardi , da Universidade Diego Portales, no Chile, descreve aquilo que é, sem dúvida, o exoplaneta mais jovem alguma vez encontrado.
O artigo foi publicado na semana passada na The Astrophysical Journal Letters .
A descoberta foi possível, em parte, graças ao Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), que vaculha o universo a partir do deserto do Atacama, no Chile.
Quando este poderoso telescópio vira os olhos para sistemas ainda numa fase inicial de formação estelar, vê com frequência anéis de gás e poeira à volta dessas estrelas. São os chamados discos protoplanetários .
Em geral, estes discos têm falhas muito nítidas, e segundo os manuais de teoria astronómica, essas falhas são abertas por planetas recém-nascidos que recolhem material.
Os próprios discos escondem grande parte do que neles se passa, e a estrela hospedeira é absurdamente mais brilhante do que a luz que o planeta emite.
O melhor que conseguimos fazer até agora foi encontrar um planeta que já tinha aberto um espaço num disco relativamente maduro, como o exoplaneta (ou exoplanetas) PDS 70 b/c, com 5,4 milhões de anos.
Para encontrar um planeta ainda mais jovem, os investigadores recorreram a dados de arquivo do Observatório Keck. Em 2018, outro grupo de investigadores observou a estrela Elias 2-24, e mais seis, com o instrumento Near Infrared Cam 2 (NIRC2), a bordo do telescópio Keck, no Havai.
A Elias 2-24 fica a cerca de 454 anos-luz, na região de formação estelar de Ofiúco, e tinha uma falha muito nítida no disco protoplanetário, com cerca de 30 UA de largura.
Também não era a primeira vez que os astrónomos olhavam para aquela falha em concreto: observações do Very Large Telescope tinham assinalado um ponto brilhante na falha que podia ser um planeta, mas não o conseguiram confirmar.
O truque foi juntar todas as observações: as do Keck, as do ALMA e as do VLT. Com todo esse contexto adicional, tornou-se claro que havia mesmo um exoplaneta a orbitar a Elias 2-24 a cerca de 54,9 UA. Fica muito para lá da órbita de Plutão, no nosso sistema solar, mas exatamente no meio da falha de 30 UA que o ALMA tinha encontrado.
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