“Alguém sugeriu dar o Nobel da Paz à ISS. O símbolo é muito forte”
Ao longo da sua carreira, inclusive nas duas vezes em que esteve na Estação Espacial Internacional (ISS), Thomas Pesquet conviveu com astronautas americanos, russos ou japoneses.
No espaço, não existe rivalidade ou tensão entre países , perguntamos? Sentado numa “sala” de paredes brancas criada no Grand Palais de Paris para encontros à margem da Cimeira Internacional sobre o Espaço (9 e 10 de setembro), o astronauta francês começa por explicar que “o interessante é que nós astronautas somos os primeiros atingidos quando há tensões geopolíticas, porque fazemos tudo em parceria.
E, obviamente, assim que surgem tensões entre países, somos os primeiros a senti-las”.
Mas quando se está confinado durante mais de 200 dias, num espaço fechado, 400 km acima da superfície terrestre, as questões geopolíticas têm mesmo de ficar lá fora.
“A ISS é extraordinariamente resiliente.
Há 25 ou 30 anos decidimos fazer as coisas juntos e comprometemo-nos de tal forma que hoje ninguém consegue fazer a ISS funcionar sem os outros parceiros.
Por vezes é desconfortável porque temos mesmo de lidar uns com os outros.
Por outro lado, acredito que seja um ótimo exemplo”, explica Pesquet, que nos dias da cimeira, e na sua qualidade de enviado especial do presidente Emmanuel Macron, encabeçou um grupo de duas dezenas de astronautas que estiveram no evento.
“No final dos anos 2010 alguém sugeriu que a ISS devia receber o Nobel da Paz.
Não sei é possível, mas o símbolo é muito forte porque, se observar, verá que são todos os países que participaram na II Guerra Mundial.
Na Europa, é França, Alemanha e Itália, depois os EUA, Canadá, Rússia e Japão.
São os países que se mataram na II Guerra Mundial.
E passados 80 anos estão a trabalhar juntos para fins pacíficos.
Acho fantástico.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.