Seguro pede entendimento: "Habitação é questão que necessita de resposta"
António José Seguro encontra-se a participar na reunião do Grupo de Arraiolos e, questionado pelos jornalistas sobre as declarações do primeiro-ministro de que Portugal não está a atravessar um momento de turbulência assinalou: "Não peçam ao Presidente da República para fazer comentários às declarações que outros titulares de órgãos de soberania fazem".
"Aquilo que para mim é importante reafirmar neste momento é que a habitação é um problema que necessita de uma resposta" , advogou.
Seguro recordou que "tem andado a defender, ao longo das minhas intervenções públicas, de que é necessário entendimentos".
"Ainda no 5 de Outubro apelei ao entendimento interpartidário como condição para se encontrarem soluções robustas para resolver os problemas das pessoas.
Um desses problemas é o da habitação" , vincou ainda o chefe de Estado.
"Conheço situações - todos nós conhecemos - de muitos estudantes que têm dificuldades em estudar porque estão deslocados, de muitas famílias e de muitas pessoas que têm dificuldade em pagar o preço de uma renda ou o empréstimo de uma casa" , acrescentou o Presidente da República, frisando que "a média [de idade] em que os jovens saem de casa dos pais em Portugal é na ordem dos 30 anos, o que atrasa o seu projeto de vida".
Deste modo, salientou, "todos os responsáveis políticos têm a obrigação de colocar em cima da mesa soluções para resolver o problema da habitação no nosso país" .
Já questionado sobre se considera que existe no nosso país o risco de radicalização dos protestos, à semelhança do quem acontecido noutros países, Seguro afirmou que "a Constituição é clara: permite e garante que todos tenham o direito a expressar-se livremente.
E isso é um valor fundamental" .
" Mas também diz que todos têm de cumprir a lei.
Portanto, o pior que pode acontecer é que, quando se luta por causas justas, a forma que é encontrada, no fundo, vá contra a lei.
Isso não", frisou, vincando ainda compreender "muito bem aquilo que são as preocupações de que se manifesta, mas volto a apelar para que todas as manifestações que existam sejam respeitadoras da lei ".
"O crucial e o fundamental é que se encontrem soluções e isso é o apelo que eu deixe a todos os atores políticos" , terminou.
Recorde-se que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, pediu hoje aos manifestantes do Movimento pela Habitação, no Porto, que "não sejam egoístas" quanto à tranquilidade e à ordem pública, e defendeu que as forças policiais costumam ser "extraordinariamente criteriosas e respeitadoras".
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