Início da CPI a Luís Neves: Ventura e Aguiar-Branco divergem sobre bloqueios e Livre quer ouvir líder do Chega
O líder do Chega, André Ventura, confirmou nesta quarta-feira, 14 de outubro, que irá pedir ao presidente da Assembleia da República para que a comissão parlamentar de inquérito (CPI) aos mandatos de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária, da qual foi indicado presidente pelo seu partido, não seja suspensa durante a discussão do Orçamento do Estado para 2027 , cuja votação final está marcada para 24 de novembro, ou enquanto decorrerem trabalhos de duas outras CPI em curso (aos negócios dos incêndios florestais e ao INEM).
E, à saída da cerimónia de tomada de posse da CPI e de escolha dos vice-presidentes e coordenadores dos partidos representados, Ventura respondeu à intervenção inicial do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que disse não ter havido bloqueios, nem restrições, e sim "instituições a funcionar e regras a cumprir", pelo que o requerimento potestativo do maior grupo parlamentar da oposição só foi admitido à terceira tentativa.
"Não me cabia responder diretamente ao presidente da Assembleia da República lá dentro, mas houve bloqueios, tentativas de condicionamento e tentativas de paragem", defendeu o líder do Chega, acrescentando-lhes a intenção do Livre - que alegou conflito de interesses de Ventura, enquanto assistente do inquérito ao assalto ao seu gabinete parlamentar, por se ter referido ao desaparecimento de documentos relacionados com a comissão de inquérito, mas obteve parecer negativo de Aguiar-Branco, tendo pedido agora à Comissão de Transparência que se pronuncie -, revelada pelo deputado Paulo Muacho, de o incluir nos nomes chamados para as audições dos deputados.
"Isso é uma engrenagem do Livre para tentar, mais uma vez, bloquear a CPI.
Não nos vamos deixar desviar", disse , garantindo "total disponibilidade" para ser ouvido.
Na tomada de posse, depois de ouvir Aguiar-Branco dizer, na curta intervenção que precedeu a sua saída da sala onde decorreu a reunião, que a CPI aos mandatos de Luís Neves "tem a mesma responsabilidade, as mesmas regras e os mesmos limites de todas as outras", o líder do Chega repetiu a tese de que "é uma das mais importantes da nossa história democrática".
E realçou que a sua constituição "aconteceu após muito esforço", numa referência aos requerimentos necessários até ser admitido o objeto de investigação, que engloba casos polémicos dos mandatos do atual ministro da Administração Interna nos oito anos (2018-2026) em que esteve à frente da Polícia Judiciária.
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