O que revelam os casos de Luís Neves sobre a polícia?
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Hoje sobre o que nos revelam os casos e casinhos a envolver Luís Neves sobre a Polícia Judiciária e também as restantes polícias. Por exemplo, que segundo o agora ministro, a PJ não consegue fazer certas operações, nomeadamente as que implicam secretismo, se cumprir as regras. Em segundo, que há uma guerra entre polícias. Também precisamos saber mais sobre os bastidores das polícias. E em quarto lugar, e princípio de conversa, Helena Matos, bom dia. Do que é que estamos a falar, afinal, quando falamos de polícias?
Bom dia. Eu acho que estas coisas das notícias e dos casos, como diria o Santana Lopes, eu acho que nós devemos aprender alguma coisa no meio da sucessão de constrangimentos que vamos tendo. E realmente, os sucessivos casos e casinhos envolvendo o nome de Luís Neves acabaram por expor os bastidores de uma polícia, a Polícia Judiciária, da qual nós tínhamos uma noção quase intocável sobre o seu modo de funcionamento, uma certa cultura de informalidade. E sim, como é que são vigiadas as polícias e forças de autoridade? E aí, eu acho que esse é um dos primeiros pontos. Nós pensamos sempre muito em função da PSP, da GNR, também claro, da PJ, mas nós temos muito mais forças de autoridade. Por exemplo, a ASAE. Os inspetores da ASAE até têm possibilidade de usar arma no seu dia a dia e fazem operações muitas vezes muito robustas, por assim dizer. Quem é que vigia a ASAE? Vigia no sentido de escrutinar a ASAE. Sim, porque nós sabemos quem é que escrutina a PSP, quem é que escrutina a GNR, é a ALRE eGAI. Em relação à PJ, já percebemos que não é assim, mas em relação à ASAE, por exemplo, e às polícias municipais que pululam por aí cada vez mais e que até têm grandes discussões sobre se podem ou não deter uma pessoa ou que seja apanhada a fazer um delito e, portanto, ficar depois à espera que chegue a PSP. Sim, quem é que escrutina, avalia estas polícias municipais, que aliás, estão na dependência dos presidentes da Câmara, embora depois tenham uma tutela da PSP e da GNR. E a guarda prisional? Nós, por exemplo, quando foi da fuga de Vale de Judeus, descobrimos um modus operandi dentro daquela prisão, e parece que não era a única, entre os guardas prisionais, no mínimo, para dizer, sugéneres. Temos também, por exemplo, o caso da Polícia Marítima. Ou seja, nós temos várias polícias, várias forças de segurança ou de autoridade, ou autoridades que estão investidas de autoridade, mas depois acabamos por saber muito pouco sobre o seu modo de funcionamento nas operações elas mesmas e nas missões que têm a cabo, seja depois naquelas coisas, como os automóveis, como é que se pagam as viagens. Tudo isto acaba por colocar aqui muitas questões. Depois, sim, é verdade, também será importante perceber o que é que está a acontecer em termos do que é evidente, desta guerra entre polícias, e aqui estou a referir-me sobretudo às questões da PSP/PJ.
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