UE audita Brasil e avalia suspensão de exportações de produtos animais
"O Brasil apresentou informações relativas a determinados produtos, nomeadamente carne de bovino, carne de aves de capoeira, ovos, mel e produtos de aquicultura. […] Para verificar se as garantias de cumprimento dos requisitos da UE estão efetivamente a ser aplicadas na prática, a Direção-Geral da Saúde e Segurança dos Alimentos da Comissão Europeia está a realizar uma auditoria no Brasil, que será concluída em 04 de setembro", disse hoje fonte oficial da instituição à agência Lusa.
Na resposta escrita enviada à Lusa, a mesma fonte precisou que "o âmbito da auditoria abrangerá os produtos relativamente aos quais o Brasil tenha apresentado garantias escritas de cumprimento no momento da auditoria, ou seja, aves de capoeira e mel".
Isto significa que, "se o resultado da auditoria for positivo, a Comissão poderá ponderar propor uma alteração à lista de países terceiros autorizados, de modo a voltar a incluir o Brasil no que diz respeito às aves de capoeira e/ou ao mel", acrescentou.
Ainda assim, "qualquer proposta desse tipo será submetida a votação pelos Estados-membros num comité permanente", ressalvou a mesma fonte, vincando que "o resultado da auditoria não pode ser antecipado e, nesta fase, a Comissão não pode indicar qualquer calendário previsível".
Em causa está o regulamento que atualiza a lista de países terceiros autorizados a exportar para a UE animais destinados à produção de alimentos e produtos de origem animal, no âmbito das novas regras europeias sobre a utilização de determinados antimicrobianos, que entrará em vigor a partir de 03 de setembro após uma revisão realizada em maio passado.
"O Brasil não está incluído nessa lista, o que significa que, a partir de 03 de setembro de 2026, deixará de poder exportar para a UE determinadas categorias de produtos - tanto animais vivos destinados à produção de alimentos como produtos derivados - como bovinos, equídeos, aves de capoeira, ovos, produtos de aquicultura, mel e tripas", contextualizou a Comissão Europeia.
A auditoria comunitária será concluída um dia depois da entrada em vigor das novas regras europeias sobre a utilização de determinados antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos.
As regras proíbem o uso destes medicamentos para promover o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais e restringem a utilização de substâncias reservadas ao tratamento de infeções em humanos.
Bruxelas esclareceu que a auditoria incide especificamente sobre as categorias para as quais o Brasil apresentou, à data da fiscalização, garantias escritas de cumprimento dos requisitos europeus.
A situação é diferente para outros produtos pois, de acordo com o executivo comunitário, no caso de carne de bovino e ovos, o Brasil "não consegue fornecer as garantias exigidas para toda a vida dos animais no momento da auditoria".
Já no caso da aquicultura, as exportações para a União Europeia "não estão de facto autorizadas", é indicado.
Sendo o Brasil um dos principais fornecedores da UE de algum destes produtos, como carne de bovino e de aves, a Comissão Europeia admite ainda, na resposta à Lusa, que a suspensão "terá um impacto para alguns operadores" europeus.
Bruxelas sublin
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