Taxa mista domina o crédito à habitação no 2º trimestre e preços das casas aumentaram 16,5%
O relatório dedica um em foco à evolução da taxa mista no crédito à habitação.
Desde 2023, esta modalidade passou a ser claramente predominante nos novos empréstimos, representando entre 75% e 85% do montante contratado mensalmente no período mais recente (cerca de 80% no 1.º semestre de 2026).
Os períodos iniciais de fixação da taxa concentraram-se em torno de dois anos.
A mudança foi determinada pelo contexto de subida das taxas de juro e pela promoção ativa desta modalidade pelos bancos.
Características dos mutuários (devedores estrangeiros, existência prévia de crédito ao consumo, montantes mais elevados ou transferências de empréstimo) também estão associadas a maior probabilidade de contratação de taxa mista.
Níveis de rendimento mais elevados, pelo contrário, estão ligados a menor probabilidade de a escolher.
O Banco de Portugal alerta que será importante acompanhar o comportamento destes contratos quando terminarem os períodos iniciais de taxa fixa, altura em que podem ocorrer renegociações ou transferências.
O sistema bancário português apresentou uma redução na rendibilidade no segundo trimestre de 2026, com o ROA (renta a situar-se em 1,25% (-0,11 pontos percentuais face ao período homólogo) e o ROE em 13,55% (-1,33 pp).
Os dados constam do relatório Sistema Bancário Português: Desenvolvimentos recentes, publicado pelo Banco de Portugal com informação disponível até 9 de setembro de 2026.
“O balanço do sistema bancário aumentou 1,8%, impulsionado pelos empréstimos a clientes (1,4 pp) e, em menor medida, pelos títulos de dívida (0,9 pp).
A exposição a títulos de dívida pública subiu marginalmente para 20,3%” O ativo total do sistema cresceu 1,8%, impulsionado sobretudo pelos empréstimos a clientes (contributo de 1,4 pp, com destaque para o crédito à habitação e às empresas) e, em menor medida, pelos títulos de dívida (0,9 pp).
O peso dos títulos de dívida pública no ativo subiu marginalmente para 20,3%.
O rácio de transformação (empréstimos/depósitos) aumentou 1,2 pp, para 77,1%.
A qualidade dos ativos manteve-se estável: o rácio de empréstimos não produtivos (NPL) bruto ficou em 2,1%, enquanto o rácio de cobertura por imparidades baixou 2 pp, para 53,4%.
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