Trump terá recusado pedidos sauditas para atacar Huthis
D e acordo com o portal de notícias norte-americano, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, ligou a Donald Trump na quinta-feira para o informar sobre a rápida deterioração da situação militar no Iémen, face à incapacidade das forças governamentais, apoiadas por Riade, conterem os avanços dos Huthis em direção à cidade costeira de Moka e da aproximação ao estratégico estreito de Bab el-Mandeb.
Poucas horas depois, voltou a ligar ao líder norte-americano, instando-o a lançar ataques aéreos contra o grupo rebelde apoiado pelo Irão.
De acordo com uma das fontes citadas pelo Axios, Trump recusou os pedidos de apoio, embora tenha reafirmado a colaboração de Washington através dos serviços de informações, bem como a partilha de dados sobre alvos, sem considerar uma intervenção militar direta neste momento.
O portal referiu que o Presidente norte-americano alegou que pretende manter o foco na guerra lançada em conjunto com Israel, em 28 de fevereiro, contra o Irão, abstendo-se de abrir uma nova frente de combate.
Os pedidos do príncipe herdeiro marcam uma mudança na posição da Arábia Saudita, que em julho afirmou poder enfrentar os Huthis sozinha, apesar da escalada do conflito, limitando-se a pedidos de apoio político.
Cerca de 200 efetivos das forças norte-americanas já estão destacados na Arábia Saudita para prestar apoio não militar, referiu uma das fontes citada pelo Axios.
O comandante do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), Brad Cooper, viajou para a Arábia Saudita na quinta-feira para "reuniões de coordenação urgentes", noticiou também o portal, informação não confirmada pela embaixada saudita em Washington nem pela Casa Branca.
As chamadas de Salman para Trump ocorreram em simultâneo com avisos do Governo do Iémen reconhecido internacionalmente e apoiado por Riade sobre ameaças colocadas à navegação comercial no estreito de Bab el-Mandeb e no mar Vermelho.
Esta passagem ganhou importância acrescida desde o bloqueio imposto no há mais de seis meses pelo Irão no estreito de Ormuz, por onde passavam 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes do início da guerra no Golfo.
Os Huthis afirmaram na quinta-feira que as operações militares no Iémen não procuram atingir a navegação comercial no mar Vermelho, exceto para os navios sauditas, que estão sujeitos a um bloqueio dos rebeldes desde julho.
Após anos de relativa calma, a guerra voltou há dois meses ao Iémen, arrastado para o conflito regional desencadeado pela ofensiva israelo-americana contra o Irão.
Para repelir a nova ofensiva dos rebeldes iemenitas, a Arábia Saudita realizou dezenas de ataques aéreos desde quarta-feira.
Os confrontos no Iémen desde a semana passada fizeram centenas de mortos de ambos os lados, sobretudo combatentes, e já deslocaram dezenas de milhares de pessoas, segundo a Organização Internacional para as Migrações.
Hoje, os Huthis reivindicaram ter expulsado as forças apoiadas pela Arábia Saudita de seis distritos ocidentais e uma fonte governamental admitiu que os rebeldes já controlam a costa iemenita no mar Vermelho.
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