Parlamento Europeu quer Huthis como organização terrorista na UE
O Parlamento Europeu exortou hoje a União Europeia a designar os rebeldes iemenitas Huthis, apoiados pelo Irão, como uma organização terrorista, numa altura em que têm intensificado os ataques contra a Arábia Saudita e no Mar Vermelho.
Numa resolução hoje aprovada na sessão plenária do Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo, os eurodeputados afirmam fazer esta proposta com base numa sugestão que já tinha sido feita pela chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas.
"O Parlamento exorta o Conselho da UE a incluir o movimento dos Huthis na lista de organizações terroristas da UE, incluindo os seus ramos político e militar, os seus dirigentes e o seu aparelho de segurança", pedem.
Os eurodeputados apelam também ao "desmantelamento de todos os canais de financiamento" dos Huthis e ao congelamento de "todos os bens e recursos económicos" do movimento que se encontrem na UE.
Na resolução, o PE "condena veementemente" os ataques dos Houthis contra a Arábia Saudita e a sua ofensiva militar no Iémen, considerando que ambos constituem "violações flagrantes do direito internacional".
"Os eurodeputados exigem que os Huthis cessem imediatamente todos os atos de hostilidade, tanto dentro como fora do Iémen, e que renunciem a qualquer pretensão territorial", refere o PE, que condena igualmente os ataques dos Houthis contra Israel e os Emirados Árabes Unidos.
Os eurodeputados criticam também o "papel desestabilizador" do regime iraniano, que "fornece aos Houthis armas, tecnologias associadas a mísseis e 'drones', assim como formação e financiamento".
"Condenam também a coordenação entre os Huthis, [o movimento xiita libanês] Hezbollah e outros grupos armados apoiados pelo Irão, sublinhando que uma situação estável no Médio Oriente passa pelo desarmamento e pela desmobilização de todas as milícias e grupos armados não estatais", acrescenta o PE.
Quanto ao impacto que os ataques dos Huthis têm na UE, os eurodeputados manifestam-se "muito preocupados" com as perturbações à navegação nos estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb, salientando que estão a provocar um aumento do preço da energia.
Nesse contexto, pedem aos Estados-membros que forneçam "meios navais e aéreos suplementares" à operação da UE Aspides, que tem como missão a escolta de navios mercantes no Mar Vermelho.
Os eurodeputados apelam ainda a um reforço da cooperação a nível de segurança e Defesa entre a UE e os países do Golfo Pérsico e saúdam "os esforços de alguns Estados-membros e do Reino Unido" para ajudar a nível de defesa aérea esses Estados.
Nas últimas semanas, os ataques dos Houthis contra a Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita, atingiram uma intensidade sem precedentes, visando, sobretudo, as infraestruturas petrolíferas e aeroportuárias.
Após vários anos de relativa acalmia, o conflito com os Houthis do Iémen foi retomado em julho, abrindo uma nova frente na guerra no Médio Oriente.
Em setembro, os Houthis conquistaram a costa iemenita do mar Vermelho, reforçando o seu controlo sobre o estreito de Bab el-Mandeb, um ponto estratégico para o acesso ao Canal do Suez.
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