Kremlin elogia mediação dos EUA: "A Europa não faz nada"
A Rússia admitiu hoje uma possível reunião entre os líderes de Moscovo, Washington e Kyiv, elogiou os esforços norte-americanos na mediação do conflito e acusou os países europeus de "não fazerem nada" para contribuir para uma resolução.
"A administração norte-americana faz muito para contribuir para uma resolução pacífica. As capitais europeias não fazem nada" , afirmou Dmitri Peskov, porta-voz presidencial, na sua conferência de imprensa diária.
Pelo contrário, continuou, os europeus "fazem muito para provocar a continuação das ações militares".
Peskov sublinhou ainda que não ouviu "nem uma única declaração" sobre a intenção dos europeus de optar por um diálogo "que tenha em conta os interesses legítimos da Rússia em matéria de segurança".
Já o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Ryabkov, admitiu que tem sido discutida a possibilidade de uma reunião entre os presidentes russo, Vladimir Putin, norte-americano, Donald Trump, e ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Ainda assim, Ryabkov advertiu, enquanto discursava no Fórum Económico de Nizhny Novgorod, que ainda não foi alcançado um acordo definitivo sobre uma reunião trilateral entre líderes, segundo a agência russa TASS.
"A ideia foi levantada, mas ainda não existe um consenso definitivo sobre o assunto. Neste momento, não há um acordo total. As discussões continuam", disse Ryabkov.
O vice-ministro elogiou também a postura norte-americana de mediação e acrescentou que Moscovo continua a analisar o conteúdo das "considerações e ideias adicionais" transmitidas pelo enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, a Putin na reunião de quarta-feira em São Petersburgo.
O mesmo fez Dmitri Peskov, mas recusou-se a revelar em pormenor o conteúdo das consultas realizadas em São Petersburgo.
"Qualquer tipo de diplomacia de megafone só pode prejudicar" o processo, afirmou o porta-voz do Kremlin.
No entanto, negou que Putin tivesse apresentado qualquer contraproposta ao enviado de Washington e que Moscovo tivesse tomado uma decisão definitiva sobre os membros da delegação que participará na próxima ronda de negociações tripartidas, que o líder russo prometeu retomar no próximo mês.
Peskov confirmou o interesse russo em realizar essas futuras negociações trilaterais entre delegações russas, americanas e ucranianas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Na quarta-feira uma fonte anónima citada pela TASS afirmou que a capital dos emirados iria albergar essas conversações.
Ainda na frente diplomática, Putin admitiu estar disponível para uma reunião trilateral com Trump e o homólogo chinês Xi Jinping, na China.
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