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O talento existe. A ambição também se constrói

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O talento existe. A ambição também se constrói

Nas últimas décadas fizemos progressos extraordinários na qualificação das mulheres. Em Portugal, encontramos hoje mulheres altamente preparadas em praticamente todas as áreas da economia, excelentes profissionais, gestoras, especialistas e empreendedoras.

Mas qualificação e talento, por si só, não produzem necessariamente liderança escala. Porque há uma dimensão sobre a qual falamos menos: a ambição também se constrói. Constrói-se através da educação, certamente, mas também dos contextos em que crescemos, dos exemplos que temos em casa, das expectativas que sentimos sobre aquilo que podemos vir a ser, da exposição ao risco, da liberdade para falhar e voltar a tentar, das redes a que temos acesso e das pessoas que, em determinados momentos, nos fazem acreditar que somos capazes de chegar mais longe.

Durante gerações, homens e mulheres não cresceram necessariamente expostos aos mesmos estímulos. E mesmo quando a educação formal se tornou progressivamente mais igual, muitos desses contextos culturais e sociais demoraram mais tempo a mudar. Isso importa. Porque uma coisa é adquirir as competências necessárias para desempenhar uma função. Outra é desenvolver a convicção de que podemos liderar uma organização, construir uma empresa internacional, gerir centenas de pessoas ou transformar um negócio de dez milhões num negócio de cem milhões.

Não basta preparar pessoas para terem sucesso. É preciso criar contextos que lhes permitam imaginar-se numa escala maior. Talvez por isso encontremos tantas mulheres que construíram excelentes carreiras e empresas extraordinariamente sólidas, muitas vezes com enorme disciplina financeira, capacidade de execução e resiliência, mas que aprenderam também a crescer dentro dos recursos e espaço que tinham disponíveis.

Fazer muito com pouco é uma competência extraordinária. Mas pode também transformar-se num limite. Quando durante anos crescemos recorrendo essencialmente à nossa própria capacidade, reduzindo dependências, controlando o risco e resolvendo internamente cada novo desafio, é natural que a dimensão daquilo que imaginamos possível fique, em alguma medida, condicionada pela dimensão dos recursos que conseguimos mobilizar. Nesse momento, capital, redes, conhecimento e parceiros estratégicos podem fazer muito mais do que financiar crescimento. Podem desbloquear ambição.

Mas existe ainda uma segunda questão. Mesmo quando essa ambição existe, será que sabemos reconhecê-la? Durante décadas construímos uma determinada imagem daquilo que significa parecer um líder. Valorizámos características como assertividade, confiança visível, rapidez de decisão, comunicação categórica e disponibilidade para assumir risco. São características importantes. Mas não são as únicas formas de exercer liderança.

Há líderes que mobilizam através da escuta, que constroem confiança antes de exercer autoridade, que analisam o risco profundamente antes de decidir, que privilegiam colaboração, consistência e visão de longo prazo. E nenhuma dessas características significa menor ambição, menor coragem ou menor capacidade para liderar organizações complexas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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