CFP revê inflação em alta para 3,2%. Meta do BCE só no final da década
A trajetória de descida da inflação desde 2022 chegou ao fim .
A subida dos preços que se tem verificado desde fevereiro, embora com recuos entre maio e julho, veio para ficar .
É o que escreve o Conselho das Finanças Públicas, na atualização das perspetivas económicas e orçamentais do país para os próximos quatro anos, incluindo 2026.
“ O choque energético põe fim à trajetória de moderação da inflação “, pode ler-se no documento.
A entidade ainda liderada por Nazaré da Costa Cabral antecipa que a taxa de inflação fique nos 3,2% em 2026, acima dos 2,2% registados em 2025 e ligeiramente abaixo dos 3,3% de agosto , o mês para o qual são conhecidos os últimos dados.
O CFP explica que o principal contributo vem dos preços da energia, onde se incluem os combustíveis , a eletricidade e o gás , que estão em níveis recorde em Portugal, bem como dos “ efeitos indiretos desfasados sobre transportes, alimentação e bens industriais “.
Inflação e combustíveis.
O custo de vida em cinco gráficos Ler Mais A meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE) também não será atingida em 2027 , uma vez que a estimativa para o próximo ano é de uma subida dos preços na ordem dos 2,6% .
A inflação está fortemente dependente da evolução do conflito no Médio Oriente e da reabertura do estreito de Ormuz .
A servir de contrapeso, esta trajetória descendente no próximo ano deverá ser contrariada pela “componente alimentar, por efeito do encarecimento da energia e dos fertilizantes em 2026 e pelo risco de paralisação das exportações de cereais pelo Mar Negro, que afeta dois dos maiores exportadores mundiais de trigo”, escreve o CFP.
Já a inflação subjacente — que exclui produtos que estão sujeitos a grandes variações de preço como os produtos alimentares não transformados e os bens energéticos — deverá ceder de forma mais gradual , à medida que os efeitos indiretos da guerra chegam aos serviços de transporte.
É só em 2030 que o CFP antecipa que os preços fiquem em linha com a meta do banco central, em 2% , fixando-se em 2,3% e 2,1% nos dois anos anteriores.
Com as expectativas de inflação “ancoradas e, por conseguinte, na ausência de efeitos de segunda ordem relevantes sobre a formação de preços e salários, antecipa-se uma estabilização da inflação em torno de 2% no médio prazo , em linha com o objetivo de estabilidade de preços do BCE”, explica.
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