Humorista sérvio acusa empresários portugueses de censura… com Fado
O humorista sérvio Zoran Kesic dirigiu-se, no sábado, ao "estimado povo de Portugal", a quem relatou que o seu programa, "um espaço de abertura, bondade, verdade e pensamento livre", foi retirado da televisão sérvia pelos empresários portugueses Pedro Vargas David e Luís Santos, donos da Alpac Capital, por "razões políticas". Ao fim de 13 anos no ar, o formato estreou-se no Youtube, tendo contado inclusive com uma interpretação de "Fado Final", de Amália Rodrigues.
"Estimado povo de Portugal, o meu nome é Zoran Kesic e sou apresentador de um programa de televisão popular e muito querido na Sérvia. Há 13 anos que, através da sátira, da crítica e do humor, falamos sobre as questões políticas do nosso país. Uma coisa parecida com o vosso Ricardo Araújo Pereira… só que com mais cabelo e mais problemas no país", introduziu, em português, na primeira emissão da nova temporada de "24 Minutos com Zoran Kesic".
O programa estava entre os 20 mais vistos na Sérvia e contava com quase 200 mil espectadores por semana, de acordo com o Público , que assistiu à gravação, assim como a RTP e o Expresso . O mesmo meio assinalou que, entre fevereiro e junho, o formato de Zoran Kesic foi o mais visto no canal Nova S, onde estava desde 2020.
Contudo, em maio, a sociedade de capital de risco dos portugueses Pedro Vargas David e Luís Santos adquiriu a Adria News Network, dona do canal. Apesar de ter assinado contrato em junho, o humorista foi, pouco depois, informado da suspensão do programa.
"Milhares e milhares de famílias na Sérvia, mas também na região e em todo o mundo, veem o nosso programa como algo importante e precioso. Como para vocês é, digamos, o Fado. Para as pessoas na Sérvia, o nosso programa é isso mesmo, música para alma. Este é um espaço de abertura, bondade, verdade e pensamento livre. Sabem o que é que alguns portugueses fazem aos meios de comunicação social em países estrangeiros? O mesmo que Ronaldo fez no Mundial. Nada! Há um vosso compatriota, o Sr. Pedro, que se dedica a transformar alguma coisa em nada, provavelmente por razões políticas, não empresariais", complementou.
Em declarações ao Público, à RTP e ao Expresso, a Alpac asseverou que "a decisão de não renovar o programa foi puramente económica", tendo em conta que "custava à empresa mais de 500 mil euros por ano, por 30 episódios, com um rating de 1,8% a 2%". "Era um dos programas mais caros da grelha da Nova S e o seu desempenho comercial não justificava o custo", argumentou.
Contudo, Zoran Kesic adiantou que, "por decisão dos vossos compatriotas portugueses, suspeitamos que, por razões políticas, a televisão sérvia ficou sem um programa de que gostava".
"Pensamos que a razão se deve ao facto de, daqui a menos de um mês, haver eleições na Sérvia e de sermos conhecidos como críticos muito incisivos e muito claros deste governo na Sérvia.
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