"O talento do Jorge é tão raro que tinhamos de acreditar"
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
David Ferreira, obrigada por se juntar nesta emissão especial d'O Observador. David Ferreira, que já disse várias vezes que trabalhar com Jorge Palma era um exercício constante de gestão de expectativas, porque Jorge Palma nunca seguia as regras do mercado. Era isso que o caracterizava também?
Já não me lembrava disso. O Jorge demorou a convencer as pessoas. O primeiro álbum que ele gravou foi pra Valentim de Carvalho, é um álbum de 1975. Eu tinha 21 anos e vendia discos só facão. Eu lembro de ter um grande entusiasmo por esse disco e de ficar muito espantado das pessoas não ficarem todas apaixonadas por ele. Depois, ele gravou mais três álbuns, sempre em editoras diferentes. Os primeiros quatro álbuns são todos em editoras diferentes. Ele vai acumulando devagarinho um capital de credibilidade, mas sempre junto das pessoas que sabem. Porque o grande público demorou mais. Depois trabalhei já diretamente com o Jorge, porque ele faz um contrato com a EMI Valentim de Carvalho, a partir do qual grava três LPs. Eu digo LPs porque o vinil ainda era-
...ainda era dominante. Ele faz três LPs de seguida, que é o "Asas e Penas", o "Lado Errado da Noite" e o "Quarto Minguante". E se quiser falar de expectativas, de facto, eu achava que o "Asas e Penas", que tinha "A Estrela do Mar", que tinha aquela canção de Lisboa, "Mamã, Mamã", eu achava que ele ia conquistar o público, e não foi. Essa conquista ficou pro LP que saiu no ano a seguir, o "Lado Errado da Noite", que tem o "Deixa-me Rir". Eu acho que em termos de grande público, é a canção que muda completamente a vida do Jorge.
Logo a seguir, David Ferreira, depois desse "Lado Errado da Noite", há o "Quarto Minguante" e o Jorge Palma contava uma história muito curiosa sobre a preparação desse álbum, a dizer que tinha toda a liberdade pra fazer aquilo que queria, mas que na Valentim de Carvalho ficaram um pouco assustados quando ouviram o resultado.
Não, eu já não ouço disco há muito tempo e, portanto, há sempre a hipótese de eu mudar de ideia. Mas eu acho que naquela altura já havia um músico que tinha sido peso nos discos do Jorge Palma. Era um bom músico, era o saxofonista Rui Cardoso, e eu lembro de dizer ao Jorge: "Eu quero o teu disco. Se quiseres, podes pôr o Rui Cardoso a acompanhar. Eu não quero é tu a acompanhares o Rui Cardoso", porque havia ali um excesso de protagonismo. E de facto, esse disco é um flop, que é o "Quarto Minguante", que sai em 86. Os três LPs são de seguida. E não é só o público não ter gostado ou eu não ter gostado, porque na realidade, praticamente nada desse disco sobreviveu para os espetáculos do Jorge a partir daí. Provavelmente terá cantado canções naquele ano. Curiosamente, o Jorge, entretanto, vai fazer um disco de originais, que eu me lembro, e vai fazer também dois não originais, que é o "Solo", o "Bairro do Amor", e depois faz o "Palmas Gang". Ele faz esses três discos na Polygram e de facto, ele no solo acabou por ir na direção que eu queria, que era o Jorge cru.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.