Casa onde viveu Samora Machel na Mafalala inspira sonho de museu
A antiga casa onde Samora Machel viveu como inquilino na Mafalala, Maputo, transformada pelo tempo e crescimento urbano, inspira, 40 anos após a sua morte, apelos à conversão num museu dedicado à memória do primeiro Presidente moçambicano.
Hoje reconstruída em alvenaria e com traços mais modernos, a pequena e histórica casa guarda poucos traços da antiga, de madeira e zinco, que acolheu o então enfermeiro Samora Machel nos anos 1960, antes de assumir a liderança da luta de libertação nacional e, mais tarde, do país independente.
"Era boa pessoa.
Ajudava muita gente, dava injeções, andava casa a casa, ajudou muita gente", conta à Lusa Aua Mussá Anacleto, de 72 anos, a poucos metros da antiga residência, enquanto acompanha da varanda da sua casa o movimento quotidiano das ruas estreitas da Mafalala, bairro que foi também palco central da luta anticolonial em Maputo.
Nascida e criada no bairro, Aua Mussá Anacleto diz ter crescido a ouvir histórias sobre Samora Machel, que morreu num acidente aéreo há 40 anos, em 19 de outubro de 1986, contadas pela mãe e por outros moradores mais velhos.
Muitas dessas recordações remetem para o período em que o futuro Presidente trabalhava como enfermeiro e era conhecido pelo apoio prestado à população.
Nascido em 29 de setembro de 1933, em Chilembene, distrito de Chókwè, província de Gaza, Samora Machel trabalhou como enfermeiro na Ilha de Inhaca e no então Hospital Miguel Bombarda, atual Hospital Central de Maputo, antes de abandonar o país, em 1963, para se juntar à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), fundada no ano anterior na Tanzânia.
A memória desse período atravessa também a própria casa de Aua Mussá Anacleto.
Ao apontar para uma sala modesta que conserva traços das antigas construções da Mafalala, recorda histórias associadas aos últimos anos do período colonial.
"Essa sala era a reunião deles", afirma, indicando o compartimento onde, segundo recorda, se reuniam figuras ligadas aos movimentos nacionalistas.
A poucos metros dali, as recordações ganham uma dimensão mais concreta na antiga residência onde Samora Machel viveu como inquilino.
A proprietária da casa, que prefere não ser identificada, recorda-se dos anos em que o futuro Presidente arrendava o imóvel aos seus pais.
"Eu passava o recibo e já estava na terceira, quarta classe e já sabia escrever.
Passava o nome dele", conta à Lusa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - País.