Pedro Mexia: “Em Portugal há muitas pessoas que gostavam de ser canceladas para terem isso no currículo”
A primeira edição do MEO Commedia a La Carte Fest ainda nem começou, mas já provocou uma discussão que ultrapassa o próprio festival.
Marcado para Lisboa entre 29 de outubro e 1 de novembro, o evento tem Jerry Seinfeld como cabeça de cartaz, naquela que será sua estreia em Portugal e, segundo a organização, uma atuação exclusiva na Europa em 2026.
A escolha de Seinfeld, que tem manifestado publicamente o seu apoio a Israel desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 e que já foi alvo de protestos devido às suas posições sobre a guerra em Gaza, levou vários artistas inicialmente anunciados no festival a desistirem das respetivas atuações.
Inês Aires Pereira e os Cebola Mol associaram diretamente as suas saídas às posições do humorista, mas Pedro Tochas, o espetáculo “Tributo Pop”, que reunia Carolina Deslandes, Bárbara Tinoco e Tatanka, e o Conjunto Cuca Monga também deixaram de integrar a programação.
O artista visual Vhils pediu, igualmente, para ser retirado do cartaz.
Os cancelamentos — dos espetáculos, não de Seinfeld — reacenderam um debate sobre a chamada cultura do cancelamento, a liberdade de expressão e a responsabilidade dos artistas perante as pessoas e os eventos com que decidem trabalhar.
Mas será este, afinal, um caso de cancelamento? Pedro Mexia diz que não.
Para o poeta, há uma diferença fundamental: “Eu entendo o cancelamento como cancelar terceiras pessoas.” Neste caso, argumenta, ninguém foi cancelado.
“Houve artistas que, depois de terem aceitado participar no festival, decidiram não partilhar o cartaz com Seinfeld.
É uma decisão que está dentro da liberdade de cada um.” É tudo uma questão de timing O que mais causou estranheza ao também comentador, Pedro Mexia, foi outra coisa: o momento em que alguns artistas decidiram abandonar o festival.
“Não havia nenhuma novidade entre o convite e a aceitação que levasse a uma alteração de circunstâncias”, afirma.
Segundo a sua leitura, as razões invocadas para não querer partilhar o palco com Seinfeld já eram públicas quando os artistas aceitaram participar.
“Pelos vistos, havia razões poderosíssimas pelas quais essas pessoas não poderiam partilhar o mesmo festival que o Seinfeld.
Razões que eram todas públicas e as pessoas demoraram imenso tempo.
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