Arábia Saudita pede reforço da presença europeia no Mar Vermelho
A chefe da diplomacia da União Europeia afirmou hoje que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita lhe pediu o reforço da presença naval europeia no Mar Vermelho, perante os ataques dos Huthis.
Em declarações aos jornalistas à chegada a uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), no Luxemburgo, Kaja Kallas condenou a "intensificação dos ataques dos Huthis" contra o aeroporto de Riade, enviando condolências às famílias das vítimas.
A chefe da diplomacia da UE indicou que, este domingo, falou ao telefone com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan Al Saud, para perceber o que é que os europeus podem fazer para ajudar o país a lidar com a situação.
"Temos a operação Aspides e o apelo deles foi que reforçássemos esta operação, para que possa trabalhar em estreita coordenação com a força internacional a fim de manter aberto o estreito de Bab el-Mandeb e garantir a saída dos navios mercantes do Mar Vermelho", afirmou.
A operação Aspides, lançada em fevereiro de 2024, visa proteger navios comerciais e mercantes no Mar Vermelho, Golfo e Oceano Índico Ocidental de ameaças crescentes, designadamente de ataques dos grupos Huthis do Iémen.
Kaja Kallas tem apelado, nas últimas semanas, ao reforço desta operação – argumentando que é necessário dotá-la dos meios de que precisa para conseguir cumprir o seu mandato –, e, em setembro, indicou que dois Estados-membros se tinham disponibilizado para enviar mais navios para a região.
Nestas declarações aos jornalistas, a chefe da diplomacia da UE confirmou ainda que os ministros deverão aprovar hoje a criação de uma nova missão no Líbano.
"Terá uma componente civil e outra militar.
Se esta decisão for aprovada, esperamos que a missão esteja pronta para iniciar operações no terreno dentro de alguns meses", referiu.
Kallas recordou que visitou o Líbano na semana passada e acrescentou que a criação desta missão "é muito bem vista pelas autoridades locais".
A Arábia Saudita anunciou três ataques contra o aeroporto da capital desde sexta-feira, que causaram mais de 15 mortos no total e centenas de feridos.
Os Huthis, que controlam Sanaa (capital do Iémen) desde 2014, reivindicaram nas últimas semanas vários ataques com drones e mísseis balísticos contra instalações civis e militares sauditas, incluindo aeroportos e infraestruturas energéticas.
Os insurgentes iemenitas não são o único grupo que lançou ataques contra o território da Arábia Saudita nos últimos meses: o maior produtor de petróleo da OPEP também tem sido alvo de vários movimentos armados pró-iranianos que têm visado infraestruturas energéticas e civis do reino árabe.
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