A linguagem musical inventada por Sei Miguel, referência do jazz, para ver na Culturgest
A exposição Fotocópia Original na Galeria 3 da Culturgest, onde antes era a livraria, nasceu de uma outra com desenhos de Carlos Nogueira intitulada Pensamentos.
Em papel, que mostrava esboços do artista para as suas esculturas e performances, numa espécie de "desenhos de projeto".
O trompetista e compositor Sei Miguel visitou esta exposição no ano passado com Fala Mariam, trombonista e artista plástica, sua companheira, e gostou muito, incluindo do próprio espaço, recorda Bruno Marchand, o curador de Fotocópia Original, numa antevisão desta mostra.
"Ele até falou que sugeria uma câmara secreta egípcia", revela Fala, que também esteve presente nesta apresentação.
"E nessa altura combinámos que seria uma boa oportunidade para concretizarmos um projeto que tínhamos falado de uma forma muito ligeira ao longo dos anos, de poder mostrar os seus scores ", conclui Bruno Marchand.
Sei Miguel, nome incontornável do jazz e música experimental em Portugal, morreria a 11 de novembro de 2025, aos 64 anos.
A exposição, apesar de não ter sido pensada dessa forma, acaba por ser uma homenagem ao músico.
O compositor também desenhava e até lançou uma obra, Livro das Imagens (2017), uma coletânea de desenhos de 2012 a 2015, mas salvo duas exceções ( Tombeau du Poète , de1976, e Le Sexes Noirs , de 1977), o que se mostra nesta exposição são os scores de 17 peças musicais (sendo que Fala revela que Sei que deixou "num tupperware", scores de cerca de 50 peças).
Bruno Marchand conheceu Sei Miguel no contexto do lançamento do livro, para o qual escreveria um texto e que apresentaria na galeria Zé dos Bois.
O curador admite a ousadia de apresentar uma exposição desta natureza numa instituição como a Culturgest.
"Este projeto nasce dessa relação e desta minha vontade de chegar ao ponto em que esta galeria apresenta uma coisa que é polémica, que está no limiar do que é aceitável dentro de um espaço expositivo.
Porque quando entramos numa galeria de arte, sobretudo num centro expositivo conhecido e institucional dentro do circuito português, tendemos a acreditar que aquilo que nos vai ser dado a ver é arte.
Partimos desse pressuposto, e mais do que isso, de boa arte".
Scores foi a palavra encontrada para descrever as páginas que "fazem as vezes de partitura", diz o curador.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.