Líderes dos seguros alertam: país arrisca ter "sistema equilibrado com reformados falidos"
O encerramento da edição de 2026 da Money Conference, promovida pelo Diário de Notícias e pelo Dinheiro Vivo, ficou esta quinta-feira (8 de outubro) marcado por um diagnóstico cru e objetivo sobre as principais vulnerabilidades estruturais de Portugal.
Sob o tema "O Estado da Nação nos Seguros", os líderes executivos dos quatro maiores grupos seguradores a operar no mercado nacional — Rogério Campos Henriques (Fidelidade), Luís Menezes (Grupo Ageas Portugal), Pedro Carvalho (Generali Tranquilidade) e Helene Westerlind (Zurich Portugal) — juntaram-se num painel moderado pelo diretor-adjunto do DN, Nuno Vinha, para lançar alertas severos sobre o futuro das pensões, a gestão de catástrofes climáticas e a sustentabilidade dos custos na saúde.
A discussão em torno da Segurança Social e do envelhecimento demográfico concentrou grande parte das intervenções.
Numa crítica aberta ao imobilismo e ao tabu ideológico instalado no debate público, o CEO da Fidelidade advertiu para as consequências de adiar decisões difíceis: "A discussão sobre a Segurança Social em Portugal está completamente desvirtuada.
Cada vez que se fala de Segurança Social, começa-se a dizer que as pensões são sagradas — e são —, mas nós estamos a falar das pensões dos futuros reformados, não é dos atuais".
Para Rogério Campos Henriques, "corremos o risco de ter um sistema equilibrado daqui a 20 anos com reformados falidos", apelando a que a sociedade civil seja "muito mais exigente com o poder político" na construção de consensos transversais.
Na mesma linha, Luís Menezes rejeitou o conformismo instalado, apontando para estudos recentes que indicam taxas de substituição de reforma que poderão cair para metade do último ordenado: "As pensões não são sagradas! O que é sagrado é o sistema de pensões que criámos com pendor redistributivo, mas que, se não for calibrado, não vamos conseguir ter uma sociedade sustentável daqui a 30 ou 40 anos".
Numa referência direta ao adiamento dos problemas pelos ciclos eleitorais, o responsável da Ageas ironizou que, por vezes, "parece que estamos aqui a brincar aos cowboys ", avisando que o atual modelo deixará uma fratura social profunda: "Com 50% do último salário como última pensão, daqui a 30 ou 40 anos vamos ter quem tenha tudo e quem não tenha nada".
A perspetiva de empobrecimento das futuras gerações foi igualmente vincada por Helene Westerlind, CEO da Zurich Portugal, que citou projeções que apontam para apenas 38% do último salário líquido para quem tem hoje 40 anos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.