46 estudantes e professores estiveram sequestrados durante 56 dias na Nigéria
Cinco alegados membros do grupo jihadista Ansaru foram esta quinta-feira acusados na Nigéria de sete crimes de terrorismo por terem raptado, a 15 de maio, 46 estudantes e professores de três escolas do estado de Oyo (sudoeste) e matado dois dos professores.
Os alegados terroristas foram identificados perante o Tribunal Superior Federal de Abuja como Mahmud Muhammad, Abubakar Abbas, Abdulrazak Umar, Yunusa Musa e Shamsu Sani, que se declararam inocentes.
O procurador Rotimi Oyedepo solicitou, dada a natureza sensível do caso, medidas de proteção para as suas testemunhas, como "o uso de ecrãs ou máscaras, e que lhes sejam atribuídos nomes sob a forma de siglas", segundo informaram meios de comunicação locais.
O advogado dos acusados, Bala Dakum, não apresentou objeções ao pedido da acusação, mas solicitou autorização para poder ver as testemunhas durante o interrogatório.
O juiz Salim Ibrahim aceitou ambos os pedidos e chamou a depor a primeira testemunha da acusação, uma das professoras raptadas pelos terroristas do Ansaru durante o ataque a três escolas da Área de Governo Local de Oriire, em Oyo.
"A 15 de maio, homens armados invadiram as nossas escolas, levaram alunos e professores, conduziram-nos para a floresta e permanecemos lá durante 56 dias", relatou, precisando que sete professores e 39 alunos foram raptados.
A 11 de julho, o Exército da Nigéria informou a libertação de 44 estudantes e professores raptados nesses ataques, sem atribuir a autoria do rapto a qualquer grupo específico.
Mas o presidente da Nigéria, Bola Ahmed Tinubu, responsabilizou "terroristas do Ansaru" numa mensagem publicada na rede social X, na qual felicitou o resgate dos alunos e professores "sãos e salvos".
"Não foi pago qualquer resgate nem feita qualquer concessão", assegurou Tinubu, acrescentando que a Nigéria perseguirá "sem descanso" aqueles que "procuram espalhar o medo através do terror".
Os raptores tinham exigido a libertação dos seus dirigentes, detidos em prisões nigerianas, em troca dos sequestrados, segundo meios de comunicação locais.
O Ansaru, uma cisão do grupo jihadista Boko Haram ligada à rede terrorista Al Qaeda, atua principalmente no noroeste e no centro-norte da Nigéria.
A esta insegurança junta-se a atividade do Boko Haram desde 2009 no nordeste e, a partir de 2016, da sua cisão, o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP, na sigla em inglês).
No noroeste, o Lakurawa, um grupo aparentemente ligado à organização terrorista Estado Islâmico-Província do Sahel (ISSP), também comete atentados nos estados de Kebbi e Sokoto há vários anos.
Em 2014, o Boko Haram raptou 276 raparigas numa escola da aldeia de Chibok (nordeste), um acontecimento que provocou comoção mundial. Embora muitas tenham escapado aos seus raptores, pelo menos 91 — segundo a ONU — continuam sem regressar a casa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.