Uma empresa é um romance
No sábado passado, apresentei o meu primeiro romance, Quando Tudo For Branco , no Festival Literário Internacional de Viseu.
A história começa numa casa chamada Alqueire, onde havia sempre um alqueire de milho para quem tivesse fome.
Uma casa apalaçada, de muros altos e porta da sempre cozinha aberta, onde a personagem principal cresce rodeada de afeto, segurança e pertença.
E, no entanto, deseja partir.
Há empresas que se tornam o Alqueire de quem nelas trabalha.
Protegem, criam oportunidades e constroem identidade.
Mas essa força pode outrossim encerrar uma fragilidade: quando os resultados são positivos e tudo corre favoravelmente, que espaço resta para a mudança? Nas empresas familiares, a sobreposição entre propriedade, gestão e laços de sangue torna a pergunta ainda mais delicada.
A autoridade do fundador prolonga-se nas práticas, nas escolhas e na cultura da companhia.
E o sucesso passado parece garantir e legitimar cada decisão futura no mesmo sentido.
Discordar pode mesmo adquirir o peso da ingratidão.
Por isso, as regras do direito societário são sempre uma disciplina indispensável.
O artigo 64.º do Código das Sociedades Comerciais exige aos gerentes e administradores cuidado e lealdade.
O princípio do gestor cuidadoso exige competência, conhecimento da atividade e diligência.
A exigência de lealdade é a proteção legal do interesse da sociedade – e a vontade do fundador não esgota este quadro de ponderação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.