Mães vão protestar contra “desvalorização” de denúncias de abuso nos tribunais de família
Um protesto silencioso, mas com impacto visual, vai chamar a atenção este sábado, 12 de setembro, em Portugal para a “revitimização” em tribunal das crianças em casos de abuso sexual e proteção dos menores.
Lisboa, Porto e Faro terão atos no próximo sábado em frente aos tribunais de família e menores .
Algumas das participantes estarão vestidas com túnicas vermelhas e chapéus brancos, a imitar a roupa das handmaids da obra de Margaret Atwood.
Nesta ficção, em que a autora canadiana já disse ter-se inspirado em eventos reais ao longo da história, as mulheres e crianças são oprimidas numa sociedade patriarcal.
“É extremamente semelhante ao que se passa na atualidade e ao que se passa nos tribunais de família e na justiça no geral, em relação às crianças no geral, mas especialmente nos tribunais de família”, começa por dizer ao DN Diana Duarte, fundadora do grupo “Movimento de Mulheres”.
O apelo é para que existam “decisões e proteção durante o processo de abuso sexual de menores, à revitimização e à desvalorização de denúncias”.
A iniciativa chega a Portugal depois de ocorrer em outros países, como Itália, Reino Unido, Espanha e França.
Segundo Diana Duarte, em Portugal a situação não é diferente.
“Vemos a descredibilização da denúncia de abuso sexual ou até mesmo da violência sobre a mãe.
É natural que depois as decisões judiciais também não sejam as melhores no superior interesse da criança ”, relata.
Outro problema identificado é a “morosidade da justiça” no país.
“É uma demora tanto na investigação destas questões como nos processos, há uma janela de tempo muito grande até alguém decidir se aquela pessoa é culpada ou não.
O mesmo ocorre até que detetem ou finalmente reconheçam e valorizem o risco que as vítimas correm ”, critica a ativista.
O grupo ainda chama a atenção para a desvalorização do abuso psicológico, muitas vezes invisível, que é detetado a partir de uma escuta atenta e especializada.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.