Líderes de Silicon Valley rejeitam apelos para travar IA
Os apelos para abrandar o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial (IA), feitos nos últimos dias por alguns dos principais responsáveis do setor, estão a dividir Silicon Valley. Os críticos defendem que as preocupações com a segurança da IA podem estar a ser exageradas e escondem, em alguns casos, uma tentativa das maiores empresas do setor de limitar a concorrência e influenciar as regras que lhes serão aplicadas.
A discussão ganhou força no sábado, quando Dario Amodei, presidente executivo da Anthropic, publicou um ensaio onde alertou que a IA está a avançar demasiado depressa para que os investigadores consigam continuar a desenvolvê-la em segurança. O responsável propôs, entre outras medidas, que auditores independentes acompanhem o trabalho de segurança dos laboratórios e que os reguladores permitam às empresas colaborar na definição de padrões de segurança.
Sam Altman, da OpenAI, Elon Musk, da SpaceX, e Demis Hassabis, da Google DeepMind, também defenderam, embora com propostas diferentes, a necessidade de baixar o ritmo de desenvolvimento da tecnologia . Mas outros nomes de Silicon Valley questionam a necessidade dessas medidas e as motivações das empresas que as defendem, nota o New York Times . David Sacks , conselheiro tecnológico do Presidente norte-americano Donald Trump e antigo responsável da Casa Branca pelas áreas da IA e das criptomoedas, foi um dos mais críticos.
“Parem de fingir que a motivação para abrandar é puramente altruísta”, escreveu Sacks numa publicação nas redes sociais . Para o conselheiro, se as empresas de IA consideram que o desenvolvimento de sistemas de superinteligência (máquinas que ultrapassariam a inteligência humana) é demasiado arriscado, então não precisam de esperar por uma intervenção do Governo para o travar.
“A forma mais fácil de não construir superinteligência é concordarem em não a construir”, explicou, acrescentando: “Exigir o vosso quadro regulatório preferido como preço disso vai parecer chantagem sobre o público e o sistema político”.
A principal divisão no setor tecnológico está, assim, entre os que defendem uma intervenção dos governos para controlar os riscos da IA e os que receiam que novas regras acabem por proteger as maiores empresas e dificultar a entrada de concorrentes no mercado.
Aidan Gomez , presidente executivo da empresa canadiana de IA Cohere, também questionou a possibilidade de um pequeno grupo de empresas dominantes definir as regras para uma tecnologia com impacto à escala mundial. “Devem algumas empresas selecionadas e dominantes de Silicon Valley ter o direito de definir as regras e os padrões de segurança de uma tecnologia geracional para todo o mundo?”, perguntou num ensaio publicado no domingo e citado pelo jornal nova-iorquino. “Estes oligopólios estão agora a pedir para contornar as regras de concorrência [para] poderem ditar os termos para todos os outros.”
Bill Gurley , um conhecido investidor de capital de risco e crítico das maiores empresas de IA, também colocou em causa a independência dos mecanismos de fiscalização sugeridos por Amodei.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.