Elevador da Glória: Relatório final deve ser publicado até março de 2027
O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) deveria publicar o relatório final um ano após o acidente do elevador da Glória, em 3 de setembro, que causou também duas dezenas de feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.
Numa nota informativa, a que a Lusa teve hoje acesso, o organismo explicou que, "apesar da maior diligência que tem sido seguida pela investigação e demais partes nela envolvidas", não será "possível publicar o relatório final" até 03 de setembro, pelo que decidiu "dar conta do andamento da investigação e dos problemas de segurança" detetados.
Após o relatório preliminar, publicado em 20 de outubro de 2025, a equipa de investigação definiu o âmbito das peritagens com vista a determinar os fatores técnicos envolvidos no acidente.
Uma vez que decorre em paralelo um inquérito do Ministério Público, e "atendendo ao facto de alguns dos testes a realizar serem destrutivos e irrepetíveis, bem como à otimização de recursos e eficiência na despesa pública", realizaram-se em conjunto "todas as peritagens, sem prejuízo da independência e fins distintos" de cada investigação.
O GPIAAF contratou três entidades especializadas, para avaliar as "características, condição e comportamento do cabo e da sua fixação ao veículo" e "do freio dos veículos e modelação dinâmica do sistema", e as "condições de aderência dos freios aos carris 'Z' e dos freios às rodas".
"O facto de os ascensores da Glória e do Lavra, iguais com exceção do seu traçado, serem únicos no mundo, não existindo outros veículos similares, bem como a escassa documentação técnica disponível sobre os veículos, tem exigido um estudo aprofundado das suas características através de engenharia reversa", salientou.
Relativamente ao cabo e às suas fixações, "foram e estão a ser feitos diversos ensaios físicos e químicos, determinando a condição, características metalográficas e metalúrgicas dos materiais, bem como a comparação do comportamento do cabo instalado aquando do acidente com os tipos de cabo efetivamente previstos nas especificações originais" da Carris, a empresa municipal de transportes.
"No que respeita aos sistemas de freio das cabinas, foram e estão ainda a ser realizados diversos testes funcionais e medição de parâmetros no veículo" parcialmente destruído no acidente e no que teve danos menores, "com vista a determinar a capacidade de frenagem em função das diversas variáveis possíveis quanto a afinações, coeficientes de aderência e outros parâmetros", revela-se na nota.
Os ascensores do Lavra, que se encontram íntegros, "têm sido utilizados como modelos funcionais e laboratório para permitir o estudo dos seus sistemas e comparação com os veículos acidentados", esclareceu o GPIAAF.
A Carris, ao longo do processo, "tem demonstrado toda a cooperação requerida pela investigação", disponibilizando "diligentemente as facilidades técnicas e logísticas" solicitadas, mas a pouca informação existente sobre os veículos tem determinado a "necessidade de ensaios adicionais para esclarecer alguns aspetos suscitados".
Na articulação entre o GPIAAF e o Ministério Público, foi estendido o âmbito
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