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Mais mães continuam gravidezes com diagnósticos desfavoráveis

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Mais mães continuam gravidezes com diagnósticos desfavoráveis

A responsável dos Cuidados Paliativos Perinatais da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra disse que há cada vez mais mães que optam por prosseguir a gravidez mesmo perante diagnósticos de patologia grave ou ameaçadora da vida da criança.

"O que temos observado nos últimos anos é uma mudança de paradigma. Perante algumas patologias graves, limitantes ou ameaçadoras da vida, temos encontrado cada vez mais mães que optam por prosseguir a gravidez — situações que há alguns anos eram muito menos frequentes na nossa prática clínica", observou a médica Sofia Morais.

A assistente hospitalar graduada de neonatologia na Maternidade Bissaya Barreto e especialista em cuidados paliativos perinatais salientou à agência Lusa que "tem assistido ao aparecimento e crescimento destas situações na prática clínica, quando anteriormente eram menos comuns".

Afirmou que é precisamente neste contexto que os cuidados paliativos perinatais assumem um papel importante no acompanhamento das famílias, "qualquer que seja a sua decisão, respeitando os seus valores e escolhas e garantindo que quando optam por prosseguir a gravidez não ficam sozinhas perante um diagnóstico tão complexo".

Reconhecido pelo Prémio Empatia em Saúde 2026, atribuído pelo movimento Princípio Ativo, o trabalho desenvolvido pela equipa da ULS de Coimbra procura, "perante um diagnóstico devastador, receber a família num ambiente de escuta, sem pressa e sem julgamento, onde existe espaço para compreender os seus valores, medos e expectativas".

Em vez de se centrar apenas na doença, a equipa procura conhecer aquele bebé e aquela família, construindo, em conjunto, um plano de cuidados e um plano antecipado de nascimento individualizado, respeitando sempre os desejos dos pais e garantindo que estes participam nas decisões clínicas, adiantou.

Quando o bebé nasce, mesmo sabendo que poderá viver apenas minutos ou horas, a prioridade passa a ser proporcionar conforto, aliviar sintomas e criar tempo e espaço para que os pais possam exercer a sua parentalidade - pegar ao colo, vestir o bebé, reunir a família, tirar fotografias ou criar recordações que terão um valor inestimável no processo de luto.

"Quando há morte é o momento mais difícil e doloroso para as famílias e, por muito que nos custe, é algo que quando sabemos que a probabilidade é muito elevada, também antecipamos e preparamos os pais para poderem ter e criar memórias de pequenos momentos que têm com o seu bebé para facilitar depois o luto", frisou Sofia Morais.

A especialista disse que um dos pilares da equipa "é também proporcionar aos pais a hipótese de criarem memórias para que depois o luto possa ser feito de uma forma não patológica".

A equipa acompanha os pais antes, durante e após o parto, ajuda na despedida do bebé, preserva memórias quando a família o deseja e mantém acompanhamento no período de luto, evitando que estes momentos sejam vividos de forma solitária ou desumanizada.

Neste momento, a equipa de Cuidados Paliativos Perinatais da ULS Coimbra tem dois polos com neonatologistas, obstetras, psicólogos e assistentes sociais como elos de ligação às diferentes partes das maternidades Bissaya Barreto e Daniel de Matos (sala de p

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