China eleva para mais de 550 número de desaparecidos no Tibete
S egundo o mais recente balanço oficial, divulgado hoje de manhã numa conferência de imprensa do governo municipal de Shigatse, três pessoas morreram e 558 continuam desaparecidas no lado chinês.
Somando os números do lado do Nepal, o incidente provocou pelo menos 160 mortos e deixou mais de mil pessoas desaparecidas nos dois lados da fronteira.
As encostas íngremes e os vales verdejantes situados abaixo da cordilheira dos Himalaias são particularmente vulneráveis a inundações e deslizamentos de terras, enquanto fenómenos meteorológicos extremos, como monções intensas e o degelo dos glaciares, tornaram-se mais frequentes devido ao aquecimento provocado pelas alterações climáticas de origem humana.
A região registou enxurradas semelhantes em agosto de 2025, quando um lago glaciar no Tibete transbordou devido às temperaturas elevadas. Nove pessoas morreram e infraestruturas essenciais, incluindo uma ponte que liga o Nepal à China, ficaram danificadas.
Imagens captadas por drone no Nepal mostraram estradas destruídas e edifícios soterrados por torrentes de água.
Os vales íngremes da região constituem importantes corredores económicos e de transporte, mas tornam-se particularmente vulneráveis em situações de catástrofe.
Imagens mostraram o que pareciam ser os segundos pisos de edifícios no distrito de Nuwakot, um dos mais afetados no Nepal, cobertos de lama após a passagem das águas.
Destroços ficaram presos em ramos de árvores e cabos, veículos foram soterrados e alguns sobreviventes, cobertos de lama, mostravam-se atordoados. As inundações interromperam as deslocações em algumas zonas.
As autoridades nepalesas tinham anteriormente indicado que 403 pessoas, incluindo 341 estrangeiros, estavam dadas como desaparecidas.
Sunil Sharma, porta-voz do organismo de turismo do Nepal, afirmou que entre os desaparecidos estavam 133 cidadãos indianos que participavam numa peregrinação ao monte Kailash, no Tibete, um local sagrado para os hindus.
Estavam também desaparecidos 47 cidadãos dos Estados Unidos, 34 da Austrália, 33 do Reino Unido e 24 do Canadá, segundo o responsável.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à Lusa que pelo menos dois cidadãos portugueses, um homem e uma mulher, estão entre os desaparecidos.
O Departamento de Estado norte-americano afirmou estar a par da existência de cidadãos dos Estados Unidos afetados pela catástrofe.
A ministra dos Negócios Estrangeiros australiana, Penny Wong, disse hoje que pelo menos 34 australianos que participavam em peregrinações e excursões estavam desaparecidos.
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