“Membro associado”: Como von der Leyen quer forjar relação com Canadá para além do comércio
O Executivo comunitário quer “elevar a relação com o Canadá ao mais alto nível possível” e, para o conseguir, Ursula von der Leyen propôs que o país seja o primeiro “membro associado” da União Europeia (UE) , numa aproximação que pretende ir muito além do comércio.
Porém, a intenção colheu resistência em capitais europeias e as dúvidas sobre a sua exequibilidade avolumam-se.
As relações entre Bruxelas e Otava não começam do zero.
O Acordo Económico e Comercial Global (CETA) já está em vigor desde 2017, mas a ideia da líder da Comissão Europeia é passar para uma “Aliança para o Futuro”, assente na cooperação em áreas como a indústria, tecnologia, defesa, energia, matérias-primas críticas, baterias, inteligência artificial (IA), computação quântica, cibersegurança, segurança económica e até o Ártico.
O discurso sobre o Estado da União em dez pontos Ler Mais “ Quero trabalhar convosco para abrir a porta para o Canadá ser o primeiro membro associado da UE ”, anunciou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no discurso sobre o Estado da União proferido na manhã de quarta-feira em Estrasburgo, dirigindo-se diretamente ao primeiro-ministro canadiano.
Mark Carney, que estava sentado na plateia e vai discursar perante os eurodeputados esta quinta-feira, foi o primeiro líder de um país não europeu a estar presente naquele que é conhecido como SOTEU.
A ideia da líder do executivo comunitário não corresponde a uma adesão formal do Canadá à União Europeia.
O significado jurídico e institucional de “membro associado” ainda não está definido e a proposta terá de ser discutida pelos 27 Estados-membros.
A própria declaração de von der Leyen não estabeleceu os direitos, obrigações ou grau de acesso ao mercado único europeu que esse estatuto virá a implicar caso receba ‘luz verde’.
Ana Miguel Pedro, eurodeputada do CDS, dizia aos jornalistas na quarta-feira que a criação de um Estado-membro associado se trata de um “simbolismo político” que pode ter uma expressão no Tratado de Funcionamento da União Europeia, com base legal no artigo 217.º, que permite acordos mais aprofundados com Estados terceiros.
O momento, porém, é tudo menos simbólico.
A relação entre os dois lados do Atlântico tem vindo a aprofundar-se rapidamente desde que Donald Trump regressou à Casa Branca no início de 2025 e “declarou” uma guerra comercial , num período em que tanto a UE como o Canadá procuram reduzir vulnerabilidades económicas e estratégicas e diversificar os seus parceiros comerciais para fazer face às tarifas norte-americanas.
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