"Os Estados Unidos nunca serão um aliado real para a Rússia"
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Este é o Gabinete Guerra das manhãs 360. Esta segunda-feira com a análise do coronel José do Carmo. Olá, coronel, bom dia, bem-vindo.
Bom dia. Começamos por Donald Trump, que em viagem pela Irlanda apelou diretamente a Zelensky para parar de atacar as refinarias de gasóleo russas, porque diz que estão a provocar uma escassez global de combustível e a prejudicar a economia mundial. Coronel, a hipocrisia deste dito, com o gasóleo a bater recordes nos Estados Unidos e as eleições intercalares à porta, esta tentativa de Trump de culpabilizar a Ucrânia é uma tentativa desesperada de proteger os republicanos nas urnas ou mostra que a Casa Branca está disposta a sacrificar a eficácia militar de Kiev em nome da sua própria agenda?
Sim, o que mostra é que os interesses da Ucrânia não são os mesmos interesses dos Estados Unidos. A Ucrânia quer sobreviver, quer causar ao adversário uma atrição que causa, de fato, certos prejuízos, e Donald Trump está preocupado com o preço do petróleo, da gasolina e dos combustíveis nos seus eleitores. Ele pode apelar ao que quiser, mas ele tem algum grau de pressão sobre a Ucrânia, já tem menos do que tinha anteriormente, porque entretanto ele próprio deslocou o seu centro de gravidade para outro lado e portanto, neste momento, a sua capacidade de pressionar a Ucrânia já não é a que era. Já não fornece coisas a custo zero, no fundo vende, e por isso também tem que pensar muito bem nas consequências de se distanciar mais. Há coisas que, de fato, só ele vende, mas se ninguém lhe comprar, também não ganha nada com isso. O que ele está a fazer é claramente para ver se consegue proteger os seus eleitores.
Não soa também a desespero, já que não consegue resolver o conflito no Irão?
O Donald Trump diz umas coisas, é o que lhe vem à cabeça. É aquela questão também da Irlanda, sobre o estado que cria. Muitas vezes ele diz aquilo que lhe vem à cabeça e nem sequer pensa nas consequências do que diz ou nas aplicações. Muitas vezes não há qualquer coerência entre uma coisa que diz e outra que faz. E eu penso que tentarmos analisar o que Trump diz é como analisar entranhas de galinha, para descobrir qualquer coisa que haja ali que signifique alguma coisa. Eu penso que não significa mais do que aquilo que naquele momento lhe vem à cabeça. Salta-lhe da boca, tem o coração perto da boca ou nem sei o que é que ele tem perto da boca, mas diz coisas que nós analisar isto é como tentar analisar coisas que não têm como fazer qualquer sentido.
É verdade, coronel. Entretanto, depois do encontro na Cimeira dos BRICS, a Rússia diz que a China e a Índia se ofereceram como mediadoras de paz para o conflito com a Ucrânia. Coronel, o objetivo é afastar os Estados Unidos da mesa das negociações ou sem o aval direto de Washington e da NATO, qualquer plano de paz da China e da Índia está condenado ao fracasso?
A China, obviamente, é um fornecedor, é um aliado da Rússia e é um inimigo do Ocidente. Neste momento, mais dos Estados Unidos, porque entretanto também lhe interessa denegrir o Ocidente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.